Brasileiros pelo mundo da bola- Juninho Pernambucano

juninho

Por Ian Rafael

A Era Dunga, na Seleção Brasileira, começou a se chamar assim por ironia devido ao fracasso da Seleção na Copa de 90, quando caiu para a Argentina. Quatro anos após, depois de silêncio e trabalho, ele calou a todos os críticos com auxílio de Romário e Parreira conquistando a Copa do Mundo como capitão.

Assim como a Seleção teve a Era Dunga, não seria bobagem falar que o Lyon teve com Juninho Pernambucano uma era com o seu nome, durante a passagem de oito anos pelo clube francês. Chegou à França depois de mais um imbróglio financeiro e contratual de outra era, a Eurico Miranda no Vasco, e conquistou a torcida, a simpatia de um povo e um nome na história do clube.

Antes do clube carioca e da conquista francesa, Juninho atuou pelo Sport, da cidade de Recife, onde nasceu. A passagem curta, de apenas 2 anos pelo time principal, rendeu uma Copa Nordeste e um estadual. Com boa aparição no Brasileiro de 1994, logo despertou o interesse do Vasco, que começava a preparar a base do time campeão brasileiro de 97 e da Libertadores em 98. O período mais reluzente em títulos do Vasco, também teve a presença dele. De 95 até começo de 2001, só não ganhou o Mundial, apesar de ter marcado o gol de honra na derrota para o Real Madrid no Japão. Ao lado de Edmundo e Romário se tornou um dos ícones daquela fase vascaína e até hoje é homenageado pelo golaço de falta na Argentina, contra o River, que classificou o Vasco para a final da Libertadores contra o Barcelona de Guayaquil.

A nebulosidade do fim do contrato de Juninho, assim como o de vários jogadores que conseguiram passe livre, levou o Reizinho da Colina para a França, numa transferência em que o Vasco não lucrou um centavo. Salário inferior aos outros jogadores, mais rodados e com fama feita e problemas com atraso no pagamento (mal de todos os times cariocas) são as causas mais comentadas para o fim do casamento.


Observado e analisado longamente por Marcelo Djian, o olheiro responsável pelo Brasil na época de2001, Juninho foi contratado com o aval de Bernard Lacombe, técnico da época. Com seus passes, lançamentos e principalmente chutes de fora da área e bola parada sempre perigosa, logo conquistou espaço no meio-campo do OL. As faltas, treinadas com exaustão desde Recife, fizeram várias vítimas, entre elas o Barcelona de Valdes e o Bayern de Kahn, que foi parar com a boca na trave em uma cobrança perfeita de Juninho.

Com 7 títulos franceses em sequência e ininterruptos, três Supercopas francesas e uma Copa da França, 248 jogos, 100 gols, sendo 18 na Liga dos Campeões, sendo o maior artilheiro do clube na competição e 44 desses de falta, Juninho representou muito mais do que os números podem vir a comprovar. Quarenta por cento dos gols do Lyon nos sete anos dele de clube, passaram ou tiveram alguma colaboração decisiva de Juninho Pernambucano. Na hora do aperto o time tinha a quem recorrer e na hora da bola parada o Lyon saia na frente por ter um dos maiores batedores de todos os tempos.

Seu último jogo com a camisa branca do Lyon foi realizado em casa contra o Caen. Nessa oportunidade, marcou o centésimo gol e foi substituído após ter recebido o cartão de sua suspensão na última rodada. A ovação foi algo inacreditável e nada surpreendente, afinal a admiração por Juninho não é exclusividade só da torcida vascaína ou do Sport.

Com o fim do contrato com o Lyon, Juninho foi contactado pelo São Paulo, mas não veio. Então Vasco e Sport, ainda numa fase boa com a ida à Libertadores, foram atrás do brasileiro. O plano de Roberto Dinamite parecia interessar, mas no final das contas os dólares e a possibilidade de garantir ainda mais um bom contrato no Oriente Médio com 34 anos de idade, pesaram e o retorno ao Brasil para uma aposentadoria foi adiado por mais algum tempo.

O período no Al-Gharrafa, por onde já passaram Leão, Autori, Fernandão e Valdívia, é curto ainda, porém logo na estreia com o comando de Caio Júnior, o meio-campo marcou o gol da vitória do clube sobre o Wakra.

O único gosto amargo na carreira de Juninho deve ser a passagem sem muito brilho pela Seleção. Com poucas oportunidades, por jogar numa posição concorrida e ter um estilo de jogo diferente do jogado com a Seleção Canarinho, o pernambucano teve próximo de 50 jogos e quase 10 gols na Seleção. Tendo atuado na Copa de 2006, após não ter sido chamado para a Copa em 2002 apesar de ter sido utilizado constantemente nas eliminatórias, Juninho fez parte do vexame da Alemanha, mas foi absolvido por ter demonstrado gana e vontade quando atuou.

Perto do fim da carreira, tanto a torcida do Vasco quanto a do Sport ainda pretende vê-lo atuando com suas cores. A volta ao Brasil não é certeza, mas possivelmente ocorrerá e uma das duas torcidas terá a chance de ver seu ídolo novamente em campo, agora com um caminhão de títulos, prestígio e mais experiência na bagagem.

Gol de falta contra o River Plate, na Libertadores de 1998:

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Vários Gols de falta de Juninho – Parte 1:

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Vários Gols de falta de Juninho – Parte 2:

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Comments

  • Vascao said:

    Sou um dos maiores admiradores do futebol,postura e identificação que o Juninho ‘Reizinho de Saõ Januário’ tem com o Vasco e pelo Vasco,porém a ida dele ao Catar foi um alerta e descrição mais uma vez de que a muitos anos os jogadores não tem o AMOR ao Clube e a camisa, voltou ronal, roberto, porque nao Juinho, acredito que por dinheiro nao seria..
    Grande abraço a NAÇÃO VASCAINA e vamos rumo ao titulo da Taça Guanabara,Taça Rio e Copa do Brasil.