Craques do Passado – Enzo Scifo
Por Raphael Molina
Nascido na Bélgica, porém de pais italianos, Scifo nasceu na região de La Louvière, mais precisamente na cidade de Haine-Saint-Paul. Durante a infância, sua principal diversão era o futebol, chegando a receber o apelido de “O pequeno Pelé”. Seu primeiro clube foi o R.A.A Louviéroise, o qual jogou dos 7 até os 14 anos. O seu destaque dentre os garotos do La Louviéroise lhe rendeu rapidamente uma transferência para o maior clube belga, o Anderlecht.
Aos 17 anos, já fez a sua primeira partida profissional pelo clube e impressionou a mídia pela sua técnica e a capacidade de comandar o meio de campo. A sua primeira
internacionalização veio aos 18 anos, contra a extinta seleção da Iugoslávia. Durante esse período no Anderletch, o camisa 10 conquistou três campeonatos belgas consecutivos, o credenciando a ser também o camisa 10 da seleção de seu país. Após esse período vitorioso, o craque começava a ser especulado em grandes equipes do futebol europeu.
Em 1987, a Internazionale contratou o craque belga, para orquestrar o meio de campo da equipe. Tido como uma grande esperança após a saída de Rummenigge, e com uma grande perspectiva por parte dos torcedores, Enzo sentiu a pressão de jogar em um clube de tanta expressão no cenário europeu. As suas atuações passaram longe das anteriores no Anderletch, marcando apenas 4 gols em 28 partidas pelo clube. As oportunidades não vieram mais, e em 1989 Scifo foi para o Girondins de Bordeaux.
Ainda que superior a sua última temporada, o jogador não emplacou jogando pela equipe francesa, sofrendo com uma grave lesão no joelho. No total, foram 7 gols
em 24 partidas. Novamente trocando de ambiente, o belga acabou indo para outro clube francês, desta vez o Auxerre.
Essa passagem pelo Auxerre mostrou novamente a capacidade do jogador, que retornara a sua posição original, tendo sido fundamental para a confirmação de sua convocação para a Copa do Mundo de 1990. Como jogador do Auxerre, foram duas temporadas, marcando 25 gols. Esse sucesso no clube francês se deve também a Scifo voltar a jogar na sua posição de origem, como o armador da equipe, o que não aconteceu nem na Internazionale nem no Bordeaux.
Apesar da sua visível melhora em campo, em 1993 o meia se transferiu para o Torino, da Itália. Esse momento em sua carreira pode ser analisado como uma oportunidade de mostrar principalmente aos italianos que o criticavam, que era um jogador de extrema capacidade. A sua experiência e habilidade foram fundamentais para uma época de crescimento do Torino. Na temporada 1991-1992, o clube de Turim chegou a final da UEFA CUP (atual UEFA Europa League) sendo derrotado pelo Ajax pelo critério dos gols fora de casa. A primeira partida foi em Turim, em um empate em 2 a 2. Os gols do Torino foram marcados pelo brasileiro e atual comentarista esportivo Walter Casagrande, Wim Jonk e Stefan Pettersson descontaram para o clube holandês. A partida de volta terminou 0 a 0, sendo assim então o Ajax o vencedor do torneio. Ainda que esse insucesso tenha abatido um pouco o grupo, na temporada seguinte o Torino venceu a sua quinta Coppa da Italia, título o qual não ganhava a 22 anos.
Em 1993, o jogador se transferiu para o Monaco. Durante a sua trajetória no clube, o jogador teve a oportunidade de jogar com Fabien Barthez, Emmanuel Petit, Sonny Anderson e Thierry Henry. Esse plantel recheado de craques foi determinante para a conquista da Ligue 1 (equivalente a primeira divisão do campeonato francês) no ano de 1997.
Após uma carreira complicada devido as lesões, Scifo voltou ao seu país de origem ao clube que o projetou, o Anderletch. Sem o mesmo fôlego do ínicio da carreira, mas com uma grande experiência e com um índice técnico muito alto, Scifo foi capaz de ajudar no título de campeão belga, e também na conquista da Copa da Liga da Bélgica. Porém, devido a idade e o histórico de lesões o jogador mudou novamente de clube, chegando ao Charleroi. Jogou apenas 12 partidas pelo Charleroi e se aposentou, mais uma vez sofrendo com lesões, dessa vez na coluna.
Pela seleção de seu país, Enzo disputou quatro Copas do Mundo(86, 90, 94, 98). Em 1986, Scifo levou os belgas as semi-finais depois de passarem pela União Soviética (4 a 3) nas oitavas, pela Espanha nos penaltys nas quartas, caindo então nas semis para a Argentina de Maradona. Como treinador, Enzo treinou apenas equipes de pequeno porte no cenário europeu como o Charleroi (Bélgica), Tubize (Bélgica) e atualmente treina o também belga Mouscron.
Os gols de Scifo pela Inter:
Gol de Scifo contra o Uruguay em 1990:
