Sonhos a percorrer: a aventura de Da Costa em Trinidad & Tobago
Nome Completo: Murilo da Costa, mais conhecido como “Da Costa”
Idade: 21 anos
Clubes pelos quais passou (desde divisões de base): Palmeiras e Desportivo Brasil Traffic, West Connection-TRI e San Juan Jablotech-TRI
Por Matheus Laboissière
Jovem goleiro paulistano, Murilo da Costa decidiu arriscar tudo e embarcar para o desconhecido país de Trinidad & Tobago, para jogar nos Savonetta Boys, como são conhecidos os jogadores do West Connection. Hoje, totalmente adaptado à cultura do país, Da Costa agora quer a Inglaterra.
Ida para o futebol de Trinidad & Tobago
Você se profissionalizou no próprio West Connection? Porque não no Brasil?
Sim, me profissionalizei no West Connection porque cheguei aqui com 17 anos de idade e tenho a intenção de defender algum clube inglês no futuro, já que o país costuma exportar jogadores para lá.
Como surgiu a oportunidade de jogar num país sem tradição no futebol? Como foi o contato?
Após a temporada de 2006 com o Desportivo Brasil, fui convidado pelo treinador do West connection, Stuart Charles, que estava, na ocasião, no Brasil. Ele me viu jogando e gostou do meu desempenho. Como o goleiro do clube tinha se transferido depois de disputar a Copa do Mundo da Alemanha com a seleção de Trinidad & Tobago, o Stuart Charles acabou me levando para lá.
Quais foram as maiores dificuldades no início? Teve dificuldade de adaptação?
As maiores dificuldades foram a língua e a comida, mas, graças a Deus, encontrei boas pessoas e bons companheiros que me fizeram sentir em casa.
West Connection
Vi que você ganhou alguns prêmios pelo West Connection. Quais foram?
Revelação de 2007, chuteira de ouro da FA Cup do país e melhor goleiro da temporada de 2008.
O clube não foi campeão nos anos em que você foi premiado. O West Connection ficou perto do título?
Em 2007, ganhamos a Caribe Club, um dos principais campeonatos da região e que dá vaga para disputar a Concacaf Champions League. Em 2008, fomos campeões da First Citizen Cup, uma espécie de Copa da Liga inglesa, e ficamos em segundo na TT Pro League, a 1ª divisão do país, a dois pontos do San Juan Jablotech.
Qual o tamanho do clube atualmente? É considerado grande no país, apesar de ter conquistado apenas três títulos?
Sim, o clube é um dos maiores do país. Ganhamos três títulos nacionais, mas chegamos cinco vezes em segundo, desde que a Liga foi criada, em 2002. Estivemos por duas vezes na Concacaf Champions League e temos 16 copas. O clube também investe em categorias de base.
O estádio Manny Ramjohn, de 10.000 lugares, costuma ficar cheio nos jogos do clube? Como é a participação da torcida?
Sim, os jogos em casa têm uma média de oito mil pessoas. O comportamento da torcida é diferente do Brasil. Para eles, uma partida de futebol é mais um evento do que uma paixão.
Percebi que o clube possui até uma revista online. O West Connection, por meio de sua diretoria, tem uma gestão profissional, preocupando-se com o fator extra-campo?
Sim, temos um trabalho profissional no ramo do futebol, com uma diretoria muito bem qualificada. O marketing é um dos meios de renda do clube.
Quais os rivais do West Connection?
Joe Public e San Juan Jablotech, os dois maiores rivais nossos.
San Juan Jablotech
Como surgiu a proposta para defender o San Juan Jablotech?
Após três anos com o West Connection, recebi uma proposta de empréstimo que foi interessante do ponto de vista financeiro. Na temporada seguinte, voltei ao antigo clube.
Qual foi o momento mais marcante no novo clube?
Não me esqueço do jogo da Fase Preliminar da Concacaf Champions League, entre San Juan Jablotech e San Francisco, do Panamá. Perdemos o primeiro jogo por 2×0, no Panamá, o que nos obrigava a reverter o placar se quiséssemos chegar à fase de grupos. No jogo da volta, acabamos vencendo por 3×0 e peguei dois pênaltis naquela partida.
Vi que você esteve no San Juan quando o clube disputou a fase de grupos da Liga dos Campeões da Concacaf. Você jogou?
Sim, foi uma experiência muito boa.
Futebol em Trinidad & Tobago
O nível do futebol praticado no país é bom, em comparação com os outros países caribenhos?
Sim, Trinidad & Tobago tem muitos jogadores na Inglaterra, assim como a Jamaica, os dois países mais importantes da região em termos de futebol.
Desde que você chegou ao país, em 2005, em que melhorou o futebol do país?
A partir de 2006, percebi que o futebol local foi mais valorizado. Os clubes passaram a investir mais no futebol, o que implicou na classificação da seleção nacional para a Copa do Mundo da Alemanha.
Qual o melhor jogador, em sua opinião, da TT Pro League?
Atualmente, o melhor atleta nesta temporada é o atacante do Defence Force, o maior campeão nacional, Devon Jorsling, que tem 12 gols na atual temporada e que já jogou pelo West Connection, em 2000-01. Ano passado, o artilheiro da competição foi o atacante do Joe Public, Kerry Baptiste, que marcou 35 gols. Para mim, ele é o melhor dos últimos anos.
Há muitos jogadores brasileiros no West Connection e nos outros clubes do país?
Sim, no West Connection, somos eu e mais três: o Welton, natural de Valparaíso, em São Paulo, Paulo do Santos, que nasceu na Bahia, e Cledinaldo Silva, nascido no Rio Grande do Norte. Todos são atacantes. No San Juan Jablotech, tem o meia Ronaldo Viana, de São Paulo. Também temos colombianos no West Connection.
Seleção nacional
Algum companheiro de clube já defendeu a seleção nacional?
Sim, são oito jogadores do nosso plantel defendendo a seleção atualmente.
Você pretende conseguir a naturalização e ajudar a seleção a chegar à segunda Copa do Mundo da história?
Sim, é bem provável. Já estou, inclusive, treinando com a seleção sub-23 para as Olimpíadas de Londres, em 2012.
Sabe-se que muitos jogadores no país costumam defender clubes ingleses. Essa é a sua intenção?
Com certeza, este foi um dos motivos pelos quais decidi aceitar a proposta do West Connection em 2005. Sempre foi um sonho jogar na Inglaterra e, para ser considerado um bom goleiro, você deve passar pelo futebol inglês, em minha opinião.
Futebol brasileiro
Você é jovem ainda, pretende voltar ao futebol brasileiro?
Sim, pretendo. Mas quando é algo que ainda não posso responder.
Já recebeu propostas de clubes brasileiros enquanto defendia clubes de Trinidad & Tobago?
Sim, Bragantino, Comercial de Ribeirão Preto, entre outros, mas nenhuma proposta me agradou.
Futuro
Quais os objetivos que você tem na carreira?
Quero ter o privilégio de jogar na Premier League da Inglaterra e se Deus quiser disputar uma Copa do Mundo, seja com a seleção brasileiro ou com Trinidad & Tobago.




