“A Liga dos Campeões da UEFA é meu objetivo”
Esta entrevista terá versão em inglês na quarta-feira (25/08)
Por Matheus Laboissière
Nome: Nathaniel “Nate” Weiss
Data de Nascimento: 16 de julho de 1987 (23 anos)
Posição: ala e lateral
Clubes (inclusive divisões de base): Weston FC (clube da base do Miami), Longford Town-IRL, Adolfsberg-SUE e FK Jelgava-LET.
Desde pequeno, o sonho de Nate Weiss é jogar a Liga dos Campeões da UEFA. Por isso, o seu plano de viagem sempre incluía testes em clubes do velho continente.
Nesta entrevista exclusiva ao Plano Tático, o jogador estadunidense fala sobre os lugares que conheceu, as dificuldades que enfrentou nos clubes os quais defendeu. E declara: “Nada vai me impedir de alcançar meu sonho!”.
Começo da carreira
Eu saí dos Estados Unidos em 2006 com o intuito de jogar no exterior. Com 18 anos recém completados, fui para Mallorca, onde tinha um amigo. Minha intenção era conseguir um clube da cidade para jogar, a qualquer custo.
Consegui um contrato com o UD Arenal, da Tercera Division da Espanha (equivalente à 4ª). Lá, eles não pagavam muito bem, o que me obrigou trabalhar num estaleiro, limpando barcos, pela manhã. À tarde, treinava com o time sub-19 e à noite, com o profissional.
Longford Town, da Irlanda
Depois da Espanha, tive a oportunidade de jogar na Irlanda, pois meu técnico das categorias de base (Weston FC) tinha contatos lá. Eu assinei com o Longford Town FC (da 2ª Divisão do país) porque eles tinham um treinador que era jovem e achei que ele poderia me ajudar a progredir na carreira.
O clube, na temporada anterior à qual cheguei, estava na Premiership (divisão de elite), mas havia sido rebaixado por problemas financeiros. Creio que pude melhorar no clube irlandês e aprender bastante em minha estada. Hoje, tenho a impressão de que deveria ter ficado mais tempo por lá, mas eu queria achar uma equipe melhor, numa divisão superior.
Em busca de oportunidades
Depois de deixar a Irlanda, recebi um telefonema de um clube de Israel (Kiryat Shmona, hoje na 1ª Divisão), que estava interessado em me oferecer um período de testes. Eu fiquei lá durante uma semana e não era considerado estrangeiro, pois era judeu e, pela Lei do Retorno, tinha direito à moradia, como cidadão comum.
Infelizmente, durante os treinamentos, fui contaminado com alguma bactéria, proveniente da água ou da comida, e fiquei bastante doente. Tive de deixar Israel e até ficar sem jogar futebol por alguns meses.
Então, voltei para os Estados Unidos e treinei muito, além de trabalhar à noite a fim de acumular algum dinheiro, enquanto esperava por nova oportunidade.
Pouco tempo depois, recebi uma proposta para participar da pré-temporada de um clube sérvio, FK Metalac (da 1ª Divisão do país). Tinha de me apresentar ao clube ao final de agosto de 2008 e já estava com a passagem em mãos.
Porém, nesse meio tempo, apareceu outro clube querendo me oferecer um período de testes. No início de julho, o Djurgardens, da 1ª Divisão da Suécia, me deu a chance de jogar num clube conhecido nacionalmente. Parecia até que o clube era grande demais para mim, mas é por isso que se joga futebol, para se romper barreiras, e decidi viajar até a Suécia, porque, se não desse certo, teria sempre a opção da Sérvia.
Em solo escandinavo, joguei muito bem, melhor do que eu mesmo esperava. Entretanto, o clube, que estava interessado em mim, disse que eu deveria ficar mais um mês em testes junto da equipe. Sendo assim, não poderia ir para a Sérvia e, se alguma coisa desse errado, ficaria sem nenhum clube.
Preferi não arriscar e voei para a Sérvia. Durante o mês em que fiquei lá, tudo foi muito bom. Faltando um dia para a janela de transferências fechar, eles avisaram aos jogadores que pagariam menos do que tinham prometido. O que significa quase nenhum dinheiro mesmo.
Portanto, entrei em contato com o Djurgardens e eles já tinham feito suas contratações da temporada. Mas eles gostaram tanto de mim que me enviaram para terminar a temporada com o Adolfsberg IK, da Division 3, a 5ª Divisão da Suécia.
Adolfsberg
O período no clube foi curto, joguei apenas dez partidas. Mas posso dizer que a infraestrutura é melhor que eu esperava. Havia bons campos de treinamento, vestiários e até uma sauna.
No inverno, em janeiro de 2009, decidi visitar minha família em Israel e, talvez, treinar em alguns times locais, que estavam no meio da temporada, antes de voltar a Suécia, na primavera.
Quando ainda estava em Israel, um ex-companheiro de Longford, que é letão, me falou que seu ex-clube precisava de um jogador da minha posição. O técnico de lá também era famoso por pré-temporadas pesadas, por desenvolver as condições físicas dos atletas. Por tudo isso, decidi viajar para a Letônia e fazer um teste no FK Jelgava.
FK Jelgava
Creio que começamos a temporada 2010 com a intenção de permanecer na Virsliga, a 1ª Divisão. Na temporada passada, surpreendemos o país ao vencer a Copa da Letônia, que nos deu vaga na 2ª Eliminatória da Liga Europa deste ano (o clube foi eliminado na 2ª Eliminatória, pelo Molde-NOR, que venceu por 1×0 e perdeu por 2×1 – o gol fora de casa classificou os noruegueses. Nate Weiss não jogou, mas esteve na reserva na partida de volta, na Letônia).
Portanto, acredito que hoje nosso objetivo é ficar na melhor posição possível, não pensamos mais no rebaixamento, mesmo sendo recém-promovidos.
Comunicação
A maioria de meus companheiros no Jelgava é russa, então, tenho de utilizar uma mistura de inglês e russo, que está melhorando, pois já faz nove meses que estou aqui.
A qualidade do futebol letão é maior do que as pessoas pensam. Muitos jogadores locais estão deixando o país para fazer sucesso em ligas maiores do mundo, o que comprova a qualidade dos atletas daqui.
Experiência de vida
Penso que se tivesse de eleger o melhor futebol entre todos os países em que joguei, seria definitivamente a Espanha. Mesmo eu tendo participado da 4ª Divisão, os jogadores eram muito bons tecnicamente.
A maneira com a qual eles jogam é muito bonita, com o passe preciso, que é como acredito que o futebol deva ser jogado. Creio que realmente apreendi meu jeito de jogar quando estive na Espanha.
EUA
Nunca joguei profissionalmente nos Estados Unidos porque meu principal objetivo na vida é jogar em um grande clube da Europa e disputar uma Liga dos Campeões da UEFA. Desde pequeno eu quero isso e nada me impedirá de alcançar meu sonho. No futuro, terei o maior prazer de jogar a Major League Soccer.
É claro que, mesmo com apenas 23 anos, pretendo também fazer parte da seleção estadunidense e, se estiver jogando numa 1ª Divisão da Espanha, Holanda, Alemanha ou França, creio que vestirei a camisa de meu país.






