Dennys Rodrigues- O melhor jogador da Ykkonen em 2008

ogaaaeysulbrbwqjsau9dgvecoqahlyau8vbr8ot0yue-lxtdvtxg7vvbmqrigtvg5yhdvekldkgwapzhmp0rlznyoeam1t1upa71dbfsuh2h7axw6h2nslomjbn

Dennys Rodrigues, goleiro de 31 anos e natural de Florianópolis, passou por vários clubes no Brasil desde que começou sua carreira no Avaí.

Além do clube da Ressacada, o goleiro possui passagens pelo Figueirense, Marcílio Dias, Guarani de Palhoça, Canedense, Santa Cruz, Central, Fortaleza, Galícia, Itabaiana e Camaçari.

Atualmente, Dennys atua pelo AC Oulu, que disputa a Ykkonen, segunda divisão na Finlândia. Em entrevista exclusiva para o Plano Tático, o jogador revela as curiosidades do futebol finlandês, conta como foi a passagem por alguns clubes no Brasil, como se tornou ídolo quando atuava pelo Galícia, e agora pelo AC Oulu, e muito mais.

Em 1997 você subiu para o profissional no Avaí, e no mesmo ano já conquistou o título estadual pelo clube. Qual a importância para um jovem jogador já ter uma conquista importante, logo no primeiro ano como profissional?

Tudo aconteceu muito rápido na minha chegada ao Avaí. Fui indicado por um treinador das categorias de base para fazer um teste no juniores, e logo em três semanas no clube fui integrado no elenco profissional. Isso é o sonho de qualquer garoto,  por que além de jogar pelo clube de coração, ainda veio o título estadual de 1997 pra fechar com chave de ouro meus primeiros passos como profissional. Foi algo que me deu muita confiança, pois tive a oportunidade de jogar com grandes jogadores do cenário catarinense da época, e com um grupo maravilhoso. Acho que o melhor que eu já trabalhei até hoje, inclusive ainda tenho grandes amigos dessa época.

Após a passagem pelo Avaí, o seu destino foi justamente o maior rival do clube, o Figueirense. Qual a reação dos torcedores e seus fãs na época?

Falando francamente, acho que não cheguei a ter fãs na época, até por ter iniciado recentemente na carreira, e por ter sido pouco aproveitado no Avaí, já que era o  3º goleiro e fiquei apenas algumas vezes no banco de reservas, mas pra mim já contava, pois é um grupo e todos tem sua parcela de ajuda.

Foi bem aceito pela torcida do Figueirense?

Na época, tinha pego o meu passe na justiça após ficar alguns meses sem receber no Avaí, fazendo com que minha chegada no Figueirense fosse bastante comentada. Mas tudo ocorreu muito bem, dei o meu máximo e me receberam de braços abertos, pois sou profissional e tenho que fazer meu trabalho deixando o coração de lado.

Além dos dois clubes da capital, você ainda teve passagens por dois outros de Santa Catarina. Fale um pouco dessa sua passagem pelo Guarani de Palhoça e pelo Marcílio Dias:

No Marcilio Dias, cheguei ao vice campeonato catarinense, inclusive eliminando o Figueirense nas semi finais, mostrando que o grupo era forte, já que ninguém acreditava na gente. Infelizmente na final, após um empate em casa e uma derrota em Joinville, nós deixamos escapar o título estadual. Com a bela campanha, mostramos nosso valor no cenário catarinense e nacional.

No Guarani, disputei a segunda divisão Catarinense, a qual chegamos às semi finais. Foi bom para mim atuar pelo clube na segunda divisão, se tornou um grande aprendizado na carreira.

Outro clube brasileiro em que você atuou foi o Galícia de Salvador. Inclusive ano passado em uma enquete realizada no site oficial do clube, você foi eleito pela torcida granadeira o jogador preferido dela para voltar ao clube. Como você vê esse carinho do torcedor? E fale um pouco dessa passagem pelo Galícia, e como conquistou dessa maneira o carinho deles?

A passagem pelo Galícia foi maravilhosa. O clube, como um gigante adormecido e passando por algumas dificuldades, acabou me oferecendo uma ótima proposta de trabalho, além de excelentes profissionais na época. Geraldo Lantier, preparador físico e que dispensa comentários. O preparador de goleiros, Luciano, que já trabalhou no Bahia com Rodolfo Rodrigues, Emerson, entre outros. Consegui crescer e amadurecer com todo o conhecimento que ele me passou, mesmo eu com uma idade já ”avançada” na época.

Foi no Galícia também, que resgatei a mesma identidade que eu tinha semelhante com o Avaí, conseguia viver e sentir o clube, ralava, mostrava raça, vontade, e tudo o que um torcedor espera de um atleta de seu clube. Isso é o mínimo que eles pedem, e temos a obrigação de retribuir o carinho. E também consegui ajudar bastante o grupo com minha experiência, tanto nos treinos como nos jogos e  perante o grupo colocava toda minha experiência. Creio que devem ter sido os fatores determinantes para ser o eleito nesta enquente. Posso dizer que hoje o Galícia é meu segundo clube de coração.

Pena que não conseguimos o acesso, já que perdermos na final, com dois empates, e infelizmente no Campeonato Baiano, só desce e sobe um clube. Acho isso uma grande injustiça.

ogaaagupnlpivuo9xdpngrtyorxfiagn0ccw8ggjoh_ikxwjfsas_9tsj5liuiavlcwsp7gru9xuuuttlwyvs1ldl2yam1t1ujqoyjbxgldi4d2-3gdx-enmwbs2

”Uma coisa é certa, quando retornar ao Brasil quero voltar a vestir as cores do Galícia.”

Em 2008, a primeira oportunidade de atuar fora do país. Como foi a chegada no AC Oulu?

A chegada no AC Oulu foi ótima, tirando o frio e a neve (risos).  Me apresentei no meio dos testes físicos e a quatro dias de um amistoso. Então já viu tinha que chegar agradando para que tudo desse certo na frente (risos)

E acabou dando, fui muito bem recebido e rapidamente me entrosei com o restante do elenco.

Como foi a adaptação a cultura da Finlândia? Qual a principal dificuldade no começo?

Apesar de ser uma cultura diferente, não é difícil se adaptar, basta querer aprender, entender e procurar participar do dia-dia. Talvez a maior dificuldade, tenha sido a língua mesmo, já que é considerada a segunda mais difícil de se aprender, perdendo apenas para o mandarin. E como eu não falava inglês também, acabou sendo um pouco complicado no começo.

De que maneira se concretizou esta transferência para a Europa? Partiu de você, ou foi por intermédio de empresários?

Minha transferência para a Finlândia foi através de um grande amigo meu, que já atua alguns anos aqui. Ele já queria me trazer, mas nunca dava certo, até que em 2008 resolvi encarar essa jornada e aceitei o desafio. Está sendo muito bom para mim, não errei na escolha.

Logo na primeira temporada, você já se consolidou no gol do clube, inclusive levando o prêmio de melhor jogador da temporada da Ykkonen. Qual a importância pessoal desse prêmio para você?

É verdade, minha primeira temporada aqui na Europa não poderia ter sido melhor, fiz uma campanha muito boa logo quando cheguei. Para ter uma idéia, fomos perder a primeira partida apenas na 15ª rodada. No entanto, a partir desta derrota, aconteceram algumas lesões na equipe que acabou nos prejudicando na reta final da competição, fazendo com que terminássemos a temporada na 4ª colocação. Fiquei feliz ao menos por ter sido coroado em receber este prêmio de melhor jogador do campeonato, e que serviu para me firmar de vez no clube, logo na minha chegada aos país. Apesar do prêmio, teria trocado ele pelo título e o acesso.

ogaaaatwhldddxun6ne7wviz-pjvvkucfhp4qprsyy98igqsv_c0hejb7g-j3zam870yndzp1mb3mka0vvboutu_glsam1t1ugpzrazmc38_4c8ot-deblhudt0b

Logo na primeira temporada na Finlândia, Dennys já faturou o prêmio de melhor jogador da Ykkonen.

Como está a atual situação da equipe na Ykkonen, e qual as expectativas da torcida e da diretoria para o resto da temporada?

Estamos liderando desde a 7ª rodada, e o pensamento dos jogadores, da diretoria e da torcida é  no título, já que temos grandes chances que isso aconteça. Temos que manter os pés no chão e ter muita humildade para que não se repita a história do ano passado.

Apesar do estádio do AC Oulu(Castrén) ser pequeno, como é a torcida local? Quanto é a média aproximada de público?

É verdade, o Castrén realmente não é um grande estádio, tem capacidade máxima de 7000 espectadores. Para o ano que vem, o outro estádio, que está sendo reformado,  estará pronto e receberá nossos jogos com capacidade para 13.000 torcedores

A torcida é diferente das brasileiras, que vibra junto com o time. São poucas que fazem isso aqui. No entanto, vem mostrando uma fidelidade com o clube, já que nos últimos jogos em casa tem dado 4000 mil espectadores. A média é em torno de 2500 por partida.

Qual é a rotina de treinos no clube, semelhante ao Brasil?

A rotina é a mesma que no Brasil, sem mudar muito. Apenas a dos goleiros é diferente, já que não trabalhamos tanto especificamente como no Brasil. Mas venho mudando essa rotina por aqui, converso bastante com meu preparador de goleiros, e ele está se adaptando ao método brasileiro.

Dentro de campo, o que caracteriza o estilo finlandês? Velocidade, Força, etc.?

Olha, aqui eles jogam muito no 4-3-3, procurando explorar bastante a velocidade dos ponteiros. Apesar do estilo, gostei bastante do modo de atuar de alguns clubes aqui, especialmente do nosso, pois temos um grande meio-campo com um jogador da seleção finlandesa, Mika Nurmella, e outro da seleção de Zâmbia, o Dominic Yobe. Isso nos deixa tranquilo lá atrás(risos).

Como é o clube em termos de estrutura?

A estrutura é ótima, não tenho do que reclamar, somos tratados da mesma forma dos jogadores de grandes clubes no Brasil. Apesar disso, existem alguns costumes que só os europeus tem e que provavelmente no Brasil não daria certo (risos).

Recentemente em 2007, o jovem finlandês Toni Kolehmainen, deixou o AC Oulu para ir atuar no AZ Alkmaar. No elenco atual, você consegue ver algum jogador que possa despontar em centros maiores no futebol europeu?

É verdade, o Toni além de ser da cidade foi cria do AC Oulu e acabou de se sagrar campeão Holandês pelo AZ Alkmaar. Agora ele está mudando de clube, recebeu algumas propostas, mas ainda não decidiu para onde vai. Enquanto isso, ele está treinando aqui conosco para manter a forma, e hoje posso falar que ele já é um amigo que tenho aqui.

Já de outros jogadores que possam despontar, existem sim grandes talentos, como Tomi Siekkinem que já está na seleção sub 20 da Finlândia, além de um menino de 14 anos que tenho certeza que iremos escutar muito dele, é o Mattias, que inclusive já treinou em algumas oportunidades conosco no profissional.

Em termos financeiros, valeu a pena ter saído do Brasil para atuar na Finlândia?

Valeu muito sim, só pensar que o Euro é três vezes o Real, já dá pra tirar uma boa base(risos).

O atual treinador da seleção finlandesa, mostra uma clara preferência por jogadores que atuam fora do país. Inclusive na última convocação, apenas um jogador que atua na Finlândia fez parte dela, Jari Litmanen, que atua no Lahti. Qual a sua opinião a respeito disso, acha que deveriam ser dadas mais oportunidades aos jogadores locais?

Olha, nem gosto de falar muito desse treinador, até por que já fez algumas besteiras, deixando grandes jogadores de fora das partidas. Inclusive, dois deles que foram campeões holandeses, com isso já dá pra perceber algo de errado. Quanto ao Litmanen, ele dispensa qualquer tipo de comentário, a história já fala por ele.

O que costuma fazer nos tempos livres em Oulu? O que a cidade oferece para os moradores de opções para lazer?

Saio com a família, procuro visitar os pontos turísticos do país. No verão tem as praias, zoológicos, parques, museus e muitas áreas de esportes. Já no inverno são muitos esportes ligados ao gelo, que nós brasileiros não curtimos muito (risos).

ogaaahfuivwatgrexhnqaqrtqeg3mwteisivuonotv51lydeh9wr3znuejxnjkrqzlypdnpnb5qfgt_jwpk45ghpwaqam1t1ulwyd_utkmdja00sdv217cpxpr0z

O goleiro possui o status de ídolo na cidade

Cite algum lugar/ponto turístico que você recomende no país:

Recomendo visitar Helsinki pela história que ela representa aqui nos países escandinavos, além das cidades de Turkku e Tampere.

Recentemente você recebeu sondagens de clubes da Grécia e da Suécia. A prioridade é permanecer no AC Oulu?

Hoje tenho que pensar na minha família, pois estou com 30 anos e tenho que trabalhar e ralar por eles, mas nunca podemos estar fechados a propostas. Caso seja boa para ambas as partes, com certeza eu irei, mas vou deixar um pedaço de mim aqui pois foi meu primeiro lar aqui na Europa, além de ser muito bem tratado com status de estrela aqui na cidade, isso para mim é muito importante.

Independente de se concretizar ou não uma transferência. Você tem vontade atualmente de atuar em outros países, até para conhecer novas culturas?

Nós sempre trabalhamos para buscar clubes em países que o futebol é mais reconhecido, então tenho como meta sim, jogar em outros centros.

Tem vontade de trabalhar como preparador de goleiros, após encerrar a carreira?

Gostaria muito de continuar no futebol após encerrar a carreira, e por que não como preparador de goleiros, seria uma boa, mas antes prefiro pensar em jogar, tenho muitos anos de carreira ainda (risos).

Pretende encerrar a carreira em algum clube em especial?

Uma coisa é certa, quando retornar ao Brasil quero voltar a vestir as cores do Galícia, e se der de coração, encerrar no time que me projetou, já que seria muito especial para mim encerrar no Avaí.

Comments

  • Lauro Bevitori said:

    Gostei dessa entrevista. Muito interessante conhecer um craque da segunda divisão finlandesa. Boa sorte a ele e ao time dele!

  • LUIZ FERNANDO said:

    Muito interessante estas reportagens com jogadores de menor expressão; o futebol não é só aquela maravilha que vivem uns poucos – menos de 10% dos atletas profissionais. A esmagadora maioria passa dificuldades, são enganados por “dirigentes” inescrupulosos e quando recebem os salários em dia, estes são tão baixos como os da maioria dos trabalhadores do Brasil.
    Parabéns!

Trackbacks

There are no trackbacks