Futebol do Paquistão precisa da experiência do exterior
Por Matheus Laboissière
Nome: Zesh Rehman
Data de nascimento: 14/10/1983
Posição: zagueiro central
Carreira (inclusive divisões de base): Fulham-ING; Brighton & Hove Albion-ING; Norwich City-ING; Queens Park Rangers-ING; Blackpool-ING; Bradford City-ING.
Inglês de nascimento, Zesh Rehman, filho de paquistaneses, optou por defender a seleção de seus pais. Mesmo diante das dificuldades de seus descendentes com a prática do futebol, nesta entrevista exclusiva ao Plano Tático, Rehman tem esperanças de que o futebol local vai melhorar e está disposto a colocar sua experiência no futebol inglês a serviço dos Camisas Verdes.
Paquistão
Você nasceu em Birmigham, Inglaterra, certo? Que tipo de relação você tem com o Paquistão? Tem família lá?
Meus pais nasceram no Paquistão e, quando eu era jovem, nós, ocasionalmente, visitávamos a família naquele país. Atualmente, não vou muito lá.
Seleção paquistanesa
Quais as razões pelas quais você decidiu se tornar cidadão paquistanês? Porque você decidiu jogar pela seleção do Paquistão ao invés da inglesa?
Eu estava nas divisões de base da Inglaterra (juvenil), mas decidi defender a seleção paquistanesa para ter uma carreira internacional mais longa quando profissional. Faço votos para que isso inspire a próxima geração de crianças que estão aqui, na Inglaterra, a jogar pelo Paquistão. Acredito que a Inglaterra deve ser a primeira opção deles, mas, caso não dê certo, que, pelo menos, tenham outra opção no quesito seleções.
Você defendeu a seleção do Paquistão nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, certo? O que pode dizer sobre seus companheiros no que tange à qualidade?
Empatamos em 0×0 com o Iraque na partida de volta (na primeira, derrota por 7×0), uma seleção que derrotou a Austrália pela 3ª fase das Eliminatórias. Penso que, em breve, alguns de meus companheiros de seleção serão bons o suficiente para jogar na League One (3ª Divisão da Inglaterra) e na Championship (2ª Divisão).
Gols de Iraque 7×0 Paquistão, pela partida de ida da 1ª fase das Eliminatórias Asiáticas da Copa 2010
Futebol paquistanês
Quais são as maiores dificuldades, em sua opinião, que o futebol do país tem? Como é a infraestrutura lá?
Bem, a infraestrutura precisa melhorar, os técnicos têm de estudar futebol fora do país, principalmente na Europa e na América. Eles precisam receber conselhos e dicas sobre os diferentes estilos de se jogar futebol.
O que o futebol local precisa para melhorar a qualidade e lutar por melhores resultados nas Eliminatórias da Copa do Mundo, por exemplo?
Os jogadores paquistaneses precisam jogar no exterior, em vários países, necessitam abrir as asas e alçar voos mais altos para entender e aprender como os demais países jogam futebol. Uma liga nacional forte também ajudaria nesse desenvolvimento, com certeza.
Todos os jogadores da seleção paquistanesa que nasceram no país defendem clubes nacionais. Por que eles não jogam no exterior? O que os impede, em sua opinião, de ganhar essa tão importante experiência internacional?
Creio que a principal razão é o custo de sair do país, que é muito alto. Não há garantias de que o jogador vai se dar bem lá fora, vai ter emprego. Por isso, é muito caro para se arriscar tal empreitada. No entanto, se o atleta acredita em sua habilidade, ele deveria dar esse passo.
Qual o esporte mais popular no Paquistão? Ele tem infraestrutura adequada?
O cricket é o esporte mais popular de longe por lá. As condições estruturais são sólidas e o futebol precisa seguir os mesmos passos.
Em quê os jogadores que defendem clubes estrangeiros, como você, podem ajudar a seleção nacional?
Quanto mais jogadores estiverem no exterior, em diferentes países, estes poderão oferecer inestimável experiência, principalmente durante as partidas, para nossa seleção, o que beneficiaria o futebol paquistanês, sem dúvida.
Porque você acha que o técnico da seleção nacional convocou jogadores “estrangeiros”? Isso não era proibido?
O treinador nos convocou para ajudarmos nas partidas, simples assim. No final das contas, somos paquistaneses, mas vivendo em uma parte diferente do mundo.
Percebi que a população local não ficou entusiasmada na partida contra o Iraque. Somente 2500 torcedores estiveram no Punjab Stadium, que tem capacidade para 10.000. Você acha que as pessoas podem ajudar a desenvolver o futebol paquistanês?
Sim, claro, mas somente se os resultados melhorarem. Aí sim o público será maior e haverá mais apoio para nossa seleção.
Jogo entre WAPDA 2×0 PMC, pela Premier League do Paquistão
Inglaterra
Seu primeiro clube profissional foi o Fulham, da Premier League. Qual foi o sentimento de jogar na principal divisão do futebol inglês? Contra quais grandes jogadores você jogou?
Foi um sentimento excelente, que eu trabalhei muito para alcançar. Foi no começo da minha jornada na Inglaterra, que eu estou amando. Tive a sorte de jogar contra Thierry Henry, Didier Drogba, Alan Shearer, Wayne Rooney, Patrick Kluivert e contra os melhores clubes do país, como Manchester United, Liverpool, Arsenal, Chelsea etc.
Quais prêmios você ganhou no futebol inglês?
Bem, eu ajudei o Brighton Albion a subir para a Championship, na temporada 2003-04, joguei em todas as quatro divisões profissionais do país e tenho muitos prêmios ao longo dessa caminhada, dentre os quais se destacam: capitão do Bradford City (2009-10); jogador da Football League (que administra a 2ª, 3ª e 4ª divisões inglesas) de 2010, embaixador do futebol asiático na Inglaterra (2006), entre outros.
Você pretende encerrar sua carreira num clube inglês? Já recebeu alguma proposta para jogar fora da Inglaterra? Se sim, por que não a aceitou?
Não descartaria uma transferência para outro país, isso só poderá melhorar-me como jogador. Já tive propostas para jogar na 1ª Divisão da Escócia, o que não descarto no futuro. Gosto da atmosfera dos estádios ingleses, a paixão dos torcedores, o que faz o jogo ficar tão bom como o é por aqui.
Bradford City
O Bradford joga na League Two, a 4ª Divisão da Inglaterra. Quais são os objetivos do clube para a temporada 2010-11?
Espero que sejamos promovidos à 3ª Divisão e que eu, particularmente, dê sequência à boa temporada ano passado, quando fui capitão da equipe.
Candidatura inglesa para a Copa do Mundo 2018
Qual foi o sentimento de ser convidado para ser embaixador da candidatura inglesa para a Copa 2018?
Foi uma grande honra fazer parte do grupo de 50 jogadores ingleses. Isso mostra que devo estar fazendo tudo certo. Então, é hora de continuar o bom trabalho, dentro e fora de campo, todos os dias.
Caridade
Agora, abro o espaço para você apresentar as instituições de caridade das quais participa.
Bem, estou envolvido na Princes Trust Charity, Children’s Today Charity e Mosaic, que tem o apoio de Sua Alteza Real, Charles, príncipe de País de Gales. Também administro minha própria instituição, a Zesh Rehman Foundation para ajudar a proporcionar oportunidades para jovens jogadores, inclusive asiáticos, a crescer dentro do futebol.
Lances de Zesh Rehman pelo Fulham, na vitória de 1×0 sobre o Norwich, Premier League.
Esta entrevista terá versão em inglês na quarta-feira






