Pedro Seniski – Fazendo parte de uma história que renasceu
Por Thomas Renan
A entrevista da vez do Plano Tático, resgata a história de um tradicional, porém esquecido clube do estado do Paraná. Como forma de mostrar a atual situação que vive o Batel, de Guarapuava, entrevistamos Pedro Seniski, jovem volante e zagueiro, que atua no clube, e faz parte desta volta da equipe ao futebol profissional depois de ano.
Pedro conta um pouco de sua carreira, de seus planos, fala sobre a volta do clube as atividades profissionais, e as perspectivas para o futuro, além de um pouco também sobre a importante cidade de Guarapuava.
Como surgiu a paixão pelo futebol?
A paixão pelo futebol surgiu quando tinha 11 anos vendo meu irmão jogar. Nessa época nós moravamos no município de Turvo interior do Paraná, e ele passou em
primeiro em uma peneira do Coritiba com mais de 50 atletas de todo Brasil.
A sua primeira experiência como profissional veio pelo próprio Batel. Como surgiu esta oportunidade, e como foi esta experiência de atuar profissionalmente para
você?
A estreia no profissional foi difícil, se tratando de um jogo fora contra a equipe do Jacarezinho, e pricipalmente da responsabilidade em representar um clube tradicional como é o Batel, na volta ao profissionalismo após 7 anos. A experiência foi boa não, tive uma grande atuação, mas fiz o que o técnico pediu, infelizmente voltamos com a derrota.
Primeiramente tenho muito que agradecer ao Batel, que me deu essa oportunidade através do técnico Dirceu Dal’maz juntamente com um conselho gestor formado por pessoas ligada ao clube.
Na verdade cheguei em 2008 no Batel disputando Campeonatos nas categorias de base. No primeiro semestre de 2008 estava treinando para disputar pelo Operário de Ponta Grossa a Copa Tribuna sub-20 onde iria enfrentar o Batel, foi quando tive uma lesão na coluna e voltei para Guarapuava fazer quiropatia. Quando me recuperei o Batel abriu as portas e começei a treinar com o grupo, mas a data de inscrição havia terminado, e só então no dia 20 de agosto de 2008 disputei pelo Campeonato Paranaense Juniores, a primeira partida pelo Batel em pleno Estádio Germano Krüger na cidade Ponta Grossa quando empatamos com o mesmo Operário por 0×0 tendo entrado no segundo tempo.
Você chegou ao Batel ainda em 2008. Neste ano a equipe profissional não disputava partidas oficiais. Como era a preparação do clube visando a disputa da Série A3(terceira divisão) em 2009?
O Batel tentava voltar ao profissional, mas não tinha incentivo algum das empresas ou prefeitura, foi então que o presidente Alfredo Gelinski, em 2008 deu início a
um trabalho juniores para ter uma base para o profissional, tendo como treindor o Dirceu Pato que foi campeão paranaense em 1987 pelo Pinheiros e Alex Lopes que fez carreira no Atlético PR, na Portuguesa na década de 90. Depois de disputar as duas competições sub-20 em 2008, o Batel começou no dia 11 de janeiro a fazer amistosos contra Iguaçu, Atlético, Londrina, clubes que disputavam a Primeira Divisão, para tentar junto a FPF entrar na divisão de acesso. Pedido esse que não foi aprovado. Até 30 dias antes da Séria A3 começar não se tinha certeza que o Batel pudesse voltar, pelos problemas de saúde do presidente Alfredo Gelinski. Com um elenco bastante reduzido tinhamos essa esperança. Enfim, disputamos com 95% dos jogadores sendo de Guarapuava.
”Representando a cidade de Guarapuava nos Abertos.”
Antes de integrar o elenco profissional, você passou pelas categorias de base do
clube. Como é a atual estrutura do clube se tratando da base?
Atualmente no clube existe um projeto social, como muitos outros na cidade de Guarapuava. No primeiro semestre a equipe juniores disputou a Copa Tribuna, no segundo semestre, por causa do profissional, o clube não participou do Campeonato Paranaense sub-20, mas os jogadores de 17 e 18 anos que foram revelados nas competições anteriores integram o elenco profissional na série A3. Há projetos para disputar a Copa Tribuna no começo do ano de 2010, como foi nos dois anos anteriores.
A sua descendência ucraniana possibilita uma futura naturalização. Têm planos de um dia ir atuar fora do Brasil para buscar esta segunda nacionalidade?
É o sonho da maioria dos jogadores, como é meu sonho também, mas antes pretendo fazer história em algum clube grande no Brasil. E só então se tiver essa oportunidade atuar fora do Brasil, representando o Paraná.
Qual sua principal característica dentro dos gramados?
Atuo em duas posições, zagueiro e a que eu prefiro mais que é volante de contenção. As minhas características são de marcação, tenho uma ótima disposição tática, e sou forte na jogada aérea.
O Batel é um dos mais tradicionais clubes do estado. Em 1999 e 2000 chegou a disputar a primeira divisão estadual. Apesar da pouca idade, você chegou a
acompanhar a campanha do clubes nestes dois anos?
Nessa época ainda não morava em Guarapuava, tinha 10 anos e nem pensava em ser jogador, e por isso no auge do Batel não acompanhei. Mas quando você chega ao Estádio Waldomiro Gelinski sente que ali foi palco de vários grandes jogos, e têm a esperança vendo nessa volta, de fazer uma história semelhante ou ainda maior do que aquelas que as pessoas contam, e que se vê nos quadros ou na sala de troféus do clube. Nesses 7 anos de inatividade muitas gerações de bons jogadores foram perdidas. Aos poucos os jovens jogadores perdiam essa perspectiva de ser um jogador profissional, muitos tinham que se deslocar e tentar a sorte indo para cidades menores ou para capital, onde havia clubes profissionais em atividade.
Após ser rebaixado em 2000, a equipe abandonou as atividades profissionais para voltar definitivamente em 2009. Como foi a reação do povo de Guarapuava ao saber deste retorno? E como foi para você participar deste momento especial?
Apesar da pouca divulgação, da derrota na primeira rodada, e das muitas vezes que se prometeu a volta e não obteve sucesso, o povo reagiu muito bem, compareceu e fez uma festa emocionante na vitória contra o Cascavel por 2×0. Para mim foi de arrepiar, quando em campo sofríamos uma grande pressão nas cobranças de bola parada da boa equipe que é o Cascavel e escutávamos mais de mil pessoas cantando que o Batel estava de volta.
Apesar das expectativas em torno da volta, a equipe acabou decepcionando na disputa da terceira divisão do paranaense, terminando na última colocação da
primeira fase. O que pesou para que a campanha não tenha sido a esperada pela torcida?
No começo a campanha foi razoável, primeiro turno tivemos 40% de aproveitamento e estávamos em terceiro lugar. Foram muitos fatores que influenciaram, mas
principalmente o pouco tempo que tivemos na preparação e as sucessivas lesões de jogadores importantes que a cada jogo impedia o técnico Dirceu Pato de repetir uma formação tendo afetado bastante a equipe no segundo turno.
”No WG, primeiro jogo frente a torcida, contra FC Cascavel na série A3.”
Mesmo com o fraco desempenho, a torcida do clube sempre se fez presente no Waldomiro Gelinski, inclusive sendo a única a conseguir ultrapassar um público de 1000 pessoas na competição. Qual a importância da torcida rubro-negra para os jogadores?
A torcida rubro-negra é surpreendente, mesmo o clube “renascendo das cinzas” ela comparece e faz o espetáculo. Para nós jogadores é fundamental a cada lance
incentivando, cobrando e empurrando nosso time pra frente do adversário, muitas vezes a equipe não transformou dedicação, vontade em resultado, mas mesmo assim a torcida aplaudia. E no outro jogo comparecia em maior número, enquanto tinhamos chances de passar para outra fase.
Após este apoio positivo, o clube já planeja a manutenção do futebol profissional para 2010?
Certamente, desde o início desse projeto com esse novo grupo gestor, a idéia era de um projeto a longo prazo de precisamente 4 anos, mas isso com os “pés no chão” e o baixo investimento, e com certeza o Batel volta em 2010 um pouco mais experiente dentro e fora de campo.
Você consegue imaginar o Batel disputando a primeira divisão do estado em um futuro breve com a cidade recebendo torcedores paranistas, coxa-brancas e
atleticanos nas partidas contra os grandes da capital?
Consigo e esse é o objetivo maior do clube, além de voltar a revelar atletas como no passado, chegar a elite do futebol paranaense e voltar a “meter medo” como antes nas grandes equipes da capital quando enfrentava o Batel no Waldomiro Gelinski. Se espelhando em equipes como o Operário de Ponta Grossa que há mais de uma década lutava pelo acesso e enfim conseguiu, ou como o Serrano de Prudentópolis que a pouco tempo disputava o Campeonato Amador em Guarapuava e em 2010 disputará a Primeira Divisão.
O clube recebeu apoio de empresas locais, ou até mesmo da prefeitura nesta volta ao futebol?
Apoio da prefeitura muito pouco, apenas através do Vereador Antenor Gomes de Lima, atual presidente/médico do Batel e do assessor do gabinete Cosme Stimer que também tem uma ligação com o clube e cedeu nas primeiras partidas o ônibus para os jogos fora de casa. Das empresas locais apoio algum, apenas no segundo turno o Batel fez uma parceria com a Faculdades Guairacá.
”Amistoso pelo Batel contra o Atlético dia 21 de janeiro de 2009, publicada na Tribuna do Paraná”
Como é a relação do povo de Guarapuava com o esporte?
O povo de Guarapuava é apaixonado pelo esporte, há cidade tem muitas qualidades e é ótima para se morar, e em qualquer evento esportivo os guarapuavanos comparecem. Apesar do clima as pessoas têm essa vontade em fazer atividades físicas. Mas penso que vendo o esporte de uma forma geral, não há um grande investimento. Poderia ser melhor, isso é fato é só acompanhar a participação da cidade nos Jogos Abertos do Paraná. Quando há alguns sucessos, são casos esporádicos e dificilmente mantém um mesmo nível a longo prazo, tendo em vista que a cidade tem quase duzentos anos. Talvez a prefeitura tenha outras prioridades, mesmo sabendo que esporte é fundamental para saúde e lazer de uma cidade. Mas sempre há uma espectativa que isso pode mudar, atualmente o povo guarapuavano lota o Ginásio de Esportes Joaquim Prestes para acompanhar o futsal masculino, onde está concentrado a maior parte do investimento, pois a equipe de Guarapuava merecidamente chegou a Taça Ouro e faz uma campanha incrível, tem um alto investimento e um excelente retorno naquelas empresas que nela investem.
Apesar de todos simpatizarem com o Batel, muitos devem ter um outro clube para torcer e acompanhar. O povo da cidade costuma torcer para equipes de fora do estado, ou é possível ver bastante torcedores dos três times da capital na cidade?
Na cidade há uma grande influência dos clubes de fora do estado, principalmente os clubes paulistas, e cariocas. Mas sem dúvida há muitos paranistas, coxa-brancas e atleticanos, sempre que jogamos pelo Batel contra equipes da capital há torcidas organizadas, em um lado do estádio. Como nos jogos que fizemos contra a equipe juniores do Atlético Paranaense no ano passado.
Agradeço ao Site Plano Tático pela entrevista, foram excelentes as perguntas. Obrigado mesmo e até a próxima.



adorei essa reportagen,fala muito bem do pomo guarapoavano…e parabens ao Pedro ele merece creser na vida !!!!
Grande Pedro !!!!!
PARABÉNS pela entrevista !
Um dia ainda veremos brilhar cada vez mais no futebol, eu tenho certeza disso.
Abraço campeão e PARABÉNS mais uma vez.
boa sorte a ele e ao batel
Grande Entrevista!