O desafio de Sunil Chhetri

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Por Matheus Laboissière

Em 3 de agosto de 1984, nascia em Secunderabad, sudeste da Índia, Sunil Chhetri. O jovem garoto logo gostou de jogar futebol, por influência da mãe, que é ex-jogadora da seleção feminina de Nepal.

No entanto, o esporte não passava de brincadeira para Chhetri, que não tinha a intenção de seguir carreira. Queria apenas uma boa escola para estudar e, por isso, decidiu jogar no time do colégio.

O destaque alcançado por aquele jovem atacante resultou em testes em algumas equipes. O City Club, de Nova Déli, acabou ficando com Chhetri, mas por pouco tempo. Logo ele se transferiu para o Mohun Bagan, um dos grandes clubes do país.

E mostrou a que veio. Na primeira temporada, 2002-03, aos 18 anos, quatro gols anotados e sétimo lugar no campeonato nacional. Nos dois anos seguintes, o Mohun Bagan ficou no meio da tabela, quase rebaixado para a 2ª Divisão.

Em busca de novos desafios, Chhetri rumou para o JCT FC, em 2005-06. Mais uma vez, apenas dois gols em todas as competições da temporada e um sexto lugar na liga nacional. Em 2007, o atacante, já com 23 anos, ganhou o prêmio de jogador e atacante do ano da Federação Indiana de Futebol. Ao todo, foram 12 gols pelo JCT, que ficou em segundo.

As boas performances no futebol local levaram Chhetri a defender a seleção nacional. E o faro de gols do atleta funcionou uma vez mais. Na partida de estreia, em 17 de agosto de 2007, dois gols na goleada da Índia sobre o Camboja, por 6×0. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, dos três gols, dois foram do atacante. Porém, a Índia acabou eliminada na primeira fase, pelo Líbano, derrota de 4×1, em Beirute, e empate por 2×2, em Goa. Ao todo, Chhetri tem 16 gols em 35 partidas pela seleção.

Oportunidades

Em outubro de 2008, surgem os primeiros clubes estrangeiros interessados no futebol de Chhetri. Porém, nenhuma das transferências, tanto para o Estoril-POR, da 2ª Divisão portuguesa e Leeds United-ING, hoje na Championship, se consumou.

Portanto, o atleta foi jogar no East Bengal Club, da própria Índia, voltando a marcar em estreias. Não demorou muito, clubes estadunidenses começaram a especular a contratação do já consagrado nacionalmente Chhetri. Los Angeles Galaxy e DC United demonstraram interesse, mas o indiano preferiu ignorá-los e fazer um teste no Coventry City-ING.

A má notícia viria quatro dias depois de Chhetri estar em solo inglês. O Coventry não se interessara pelo jogador e o liberara dos testes. De volta à Índia, a opção que restou a Chhetri, dispensado do East Bengal, foi defender o Dempo, com uma condição: o jogador poderia realizar testes no exterior se fosse convidado.

Em 7 de agosto de 2009, mais um clube europeu de interessou pelo futebol de Chhetri. O Celtic o observou durante um amistoso, mas ele não foi para o clube escocês. Chegou a assinar um contrato de três anos com outro clube inglês, o Quees Park Rangers. O governo britânico, no entanto, não emitiu licença de trabalho e o acordo foi desfeito, porque a Índia estava abaixo dos 70 primeiros do Ranking da FIFA.

A grande chance

O dia 24 de março de 2010 pode ser considerado o momento mais importante da carreira de Chhetri até o momento. Foi quando o Kansas City Wizards, da Major League Soccer, fez uma proposta pelo atacante.

Sabendo que já não era nenhum garoto, aos 26 anos, Chhetri aceitou se transferir para o clube estadunidense, se tornando o primeiro indiano a jogar no futebol daquele país. Ele chegou a disputar um amistoso, entrando no segundo tempo e permanecendo em campo por 16 minutos, contra o Manchester United, no mês passado, vitória de 2×1.

Apresentação oficial de Chhetri no Kansas City Wizards

Imagem de Amostra do You Tube

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O desafio

Depois de quatro meses no futebol estadunidense, Chhetri tem de tomar uma decisão importante, que pode interferir diretamente em sua carreira.

Em entrevista aos jornais indianos, o atacante se diz frustrado com a transferência. Motivo: desde que está no Kansas City, ele ainda não estreou oficialmente numa partida da Major League Soccer.

“Tem hora que eu acho que isso simplesmente não está acontecendo e que eu deveria procurar outros caminhos, diferentes alternativas”, disse Chhetri, o terceiro indiano a jogar numa liga estrangeira.

Por outro lado, o jogador sabe que este é um desafio pessoal e que ele tem de provar para si que pode vencê-lo. “Eu vim aqui para aprender e posso ir além. Isso me motiva. Estou enfrentando dificuldades para me adaptar, tanto ao jogo como ao novo país, mas estou dando meu melhor para alcançar o sucesso por aqui”, acrescentou.

Primeira partida de Chhetri pelo Kansas amistoso contra a Universidade de Tulsa, 5x1

Chhetri também não pode se esquecer da seleção nacional, que está se preparando para a Copa da Ásia 2011, em janeiro, competição que não disputa desde 1984. A Federação de Futebol da Índia decidiu contratar 30 jogadores dos times locais e elaborar um planejamento exclusivo para a seleção, visando à competição continental. Há a possibilidade de o Kansas City liberar o jogador até o final da Copa da Ásia para que ele integre a seleção e os treinamentos, em Portugal.

Uma grande dúvida paira sobre a cabeça de Chhetri. Continuar no Kansas City em busca do tão sonhado espaço numa liga estrangeira e renegar a seleção? Ou fazer parte do plantel indiano? Ou ainda tentar a sorte em outro país, em outra equipe?

Lances de Sunil Chhetri

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