1º dia SIMCOPA: Simpósio de Direito Desportivo e Gestão de Negócios para a Copa 2014

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Por Thomas Renan

O Plano Tático esteve presente no primeiro dia do SIMCOPA, Primeiro Simpósio de Direito Desportivo e Gestão de Negócios para a Copa 2014, que tem como intuito a discussão de temas recorrentes que irão envolver a organização de um mega evento por parte das cidades-sedes, e o país em geral. Com inúmeras autoridades no assunto, foi discutido neste dia inaugural temas como a estrutura do futebol, as normas que regem o mundo da bola, o ‘business’ que envolve a área esportiva, os bastidores do mercado, o impacto dos novos negócios no turismo, nas finanças e no crescimento da cidade.


Após a bancada inaugural, formada por grandes nomes da área esportiva do estado do Paraná e do Brasil, como Marcos Malucelli, presidente do Clube Atlético Paranaense, Ricardo Gomyde, acessor especial do Ministério dos Esportes, e Paulo Schmidt, Procurador Geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Evandro Mota foi o responsável pelo painel inaugural do evento, que teve como palco o Auditório da UniCuritiba.

Evandro Mota é engenheiro formado, atuando desde 1980 como motivador, consultor e palestrante, ministrando mais de 600 cursos na área de desenvolvimento pessoal para mais de 100 mil pessoas no país. Entre os grandes trabalhos, destaca-se a consultoria motivacional a diversos grupos da seleção brasileira, além de desempenhar papel muito importante na melhoria de perfomance de equipes brasileiras. Colocando em prática seu conhecimento em prol de uma Copa do Mundo bem sucedida, Evandro focou a palestra nas perspectivas que grandes eventos como este podem trazer no quesito de melhoria na capacitação do mercado de trabalho em um futuro próximo. Esta qualificação consiste na capacidade de unir competência técnica com habilidade comportamental, tentando ainda aliar a capacidade de sair da zona de conforto, indo atrás de melhorias, com o espírito crítico.

Evandro deu bastante ênfase na questão do espírito crítico que subdividido apresenta uma categoria chamada de capacidade de entender cenário. Para adquirir tal capacitação, o indivíduo deve possuir certas habilidades que envolvem o pensamento sistêmico, que nada mais é do que a capacidade de entender o todo, ficar atento a todos os detalhes, por mais pequenos que sejam. Evandro simplificou este quesito com a seguinte frase: ”Nem sucesso e fracasso são resultados de apenas um acontecimento”. Ainda no chamado espírito crítico, o indivíduo deve englobar a qualidade de conhecer modelos de excelência, aliando a noção das informações corretas com a capacidade de decodifcar sinais através de uma visão atualizada. Segundo Evandro, condições como estas serão pré-requisitos fundamentais na capacitação do mercado de trabalho em um futuro próximo.

Acessor especial do Ministérios dos Esportes, Ricardo Gomyde colocou em pauta para o público uma tabela comparativa entre os benefícios e os desafios que a Copa do Mundo no Brasil pode proporcionar ao país. Segundo ele, fatores como visibilidade, que consiste principalmente na melhora da imagem do Brasil no exterior, como turismo, englobando o aproveitamento do fluxo que o evento irá gerar em terras brasileiras, como infra-estrutura, que traz a ampliação do desenvolvimento da estrutura urbana e desportiva, além do legado que as obras requisitadas para o Mundial irão trazer ao povo brasileiro. No entanto, Gomyde também apresentou os desafios que um país sede deve enfrentar ao longo da caminhada da organização. São destacadas pelo acessor: Limitação de recursos, diferença entre infra-estrutura existente com a necessária, gestão eficiente, que envolve obras sem atrasos e um controle financeiro.

O primeiro painel do Simpósio foi formado por três importantes nomes do direito desportivo. Alexandre Quadros é mestre em direito esportivo empresarial, professor da Universidade Positivo, além de auditor do STJD de futebol. Lucas Pedroso, é responsável pelo departamento jurídico do Paraná Clube, e Roberto Armelin é diretor jurídico  do São Paulo F.C. Com um assunto semelhante abordado pelos três que compunham a mesa, Quadros iniciou a palestra tratando o esporte como movimento jurídico, dando ênfase nas entidades privadas que controlam em especial o futebol. Já Lucas Pedroso, com a vivência diária de um clube grande, foi mais além tratando das questões de contratos trabalhistas. Segundo o advogado do Paraná Clube, o contrato no futebol nasce para ser quebrado, ao contrário do que acontece em outros segmentos. Para este problema, sugeriu a criação de Camâras Arbitrais para solucionar os contratos de cunho trabalhista e fugir do jurídico. Além disso, o advogado abordou temas revelantes como a importância do direito em parcerias semelhantes a do Paraná Clube para a construção do CT Ninho da Gralha. Segundo ele, a proximidade com a Copa do Mundo deve trazer a tona novas parcerias com clubes terceirizando seus patrimônios. Já Roberto Armelin, diretor jurídico do São Paulo, colocou em pauta a estrutura do Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Após um breve histórico, apresentou dados que comprovam o crescimento do clube neste setor após a entrada da nova direção no ano de 2002. Antes disso, o clube tinha no Morumbi um patrimônio deficitário, sendo que possuia cerca de apenas R$ 5 milhões de receita anuais, atualmente esta margem já chega próximo aos R$ 20 milhões. Segundo ele, o crescimento veio após o clube dividir o futebol profissional, o clube social, e o estádio em três segmentos autônomos. Nesta condição, passou a explorar o Morumbi criando um espaço para as famílias, chamado de ”Concept Hall”. Este espaço, localizado no interior do estádio, reune uma série de comércios, que vão desde academias, até restaurantes, que possibilitam uma maior receite por parte do clube.

O segundo painel trouxe ao público uma atração internacional ao evento. Trata-se de Axel Klingel, diretor da Task Comunication, e criador do projeto de naming rights da Allianz Arena para a Copa da Alemanha. Klingel apresentou a importância dos chamados naming rights no futebol europeu, focando principalmente no crescimento constante que este mercado vem tendo, principalmente através das indústrias automobilísticas, de energia, bancos, seguros, marcas de cerveja, entre outras. Segundo dados apresentados, em todo o continente europeu, a Bundesliga é o torneio que mais engloba naming rights, principalmente após o impulso que esta prática teve em função da Copa no país. Klingel, também detalhou em números a melhoria que o país teve após sediar um mega evento como a Copa do Mundo. Um dos mais revelantes, e que mais movimentou a economia nacional foi o fato do país ter abrigado mais de 2 milhões de visitantes no período dos jogos, gerando um expressivo aumento de 2,4% no PIB da Alemanha. Com base no slogan ”Tempo para fazer amigos”, Klingel também comprovou que dentre os 2 milhões de turistas, 90% recomendou positivamente o período em que esteve no país, inclusive reforçando a mudança da imagem que os estrangeiros tiveram em relação ao povo alemão.

Também fez parte do mesmo painel, Marcos Nicolas, diretor da PwC, e que atua diretamente nos projetos de apoio às cidades candidatas e cidades sedes do Mundial. Nicolas apresentou ao público dados estimativos em relação a competição, que vão desde o aumento de 1% no PIB nacional, passando pela criação de 3,5 milhões de empregos, chegando até a audiência televisiva, que irá angariar cerca de 40 bilhões de espectadores. Para ele, a ideia da ”Copa Verde” consiste dividir a organização em três frentes: Infra-estrutura, condição sócio-ecônomica e sustentabilidade. Em contrapartida, colocou como desafios a questão da gestão eficiente, do atendimento as exigências, além da organização e integração das cidades, que passam por quesitos de estádios, legados, etc. Ressaltou também a importância de seguir o modelo de integração que aconteceu na Alemanha, mas deixou em pauta prioridades como saúde, energia, saneamento, aeroportos, telecomunicações, segurança e acessabilidade ou mobilidade urbana, sendo esta última a mais urgente, já que 53% dos investimentos devem ser destinados a melhoria deste problema que assola as grandes cidades brasileiras.

Finalizando, destacou os clubes como importantes atores em função do legado deixado pela competição. Para ele, as equipes devem passar por uma modernização completa, partindo da construção, ou apenas reforma das arenas, sabendo explorar a diversidade do patrimônio. Além disso, terão mais visibilidade internacional, possibilitando o amadurecimento da noção de mercado.

O terceiro e último painel do primeiro dia de palestras, teve na bancada autoridades na questão do Marketing relacionado ao Futebol. Flávio Meirelles, presidente do insituto IMEPPI, foi o responsável por iniciar as explanações a respeito do assunto. Ressaltando a importância do registro da marca, mostrou os benefícios que a garantia junto ao INPI trás ao empresariado. Segundo ele, o registro garante a proteção de mercado, gerando um estímulo e satisfação tanto do comércio, quanto por parte do consumidor. Mostrou também, importantes passos a serem seguidos por uma marca: Registrar antes do ingresso no mercado, monitoramento dos concorrentes ilegais, programa de atuação contra concorrência ilegal, além da divulgação do resultado de tais atos.

Amir Somoggi, apresentou um levantamento muito interessante a respeito do benefício que a Copa do Mundo de 2014 pode proporcionar aos clubes brasileiros. Segundo ele, dois grandes eventos devem ser seguidos como exemplo pelo Brasil: Jogos Olímpicos de Barcelona, que reuniu um equilíbrio nos gastos públicos e privados, e na própria Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Nesta segunda, ressalta a melhoria que a organização bem sucedida trouxe aos clubes nacionais. De acordo com dados apresentados, a Bundelisga passou da quarta maior liga nacional na Europa, para a segunda após o período da Copa, gerando um aumento na receita da primeira divisão de 43%, e na segunda divisão de 98%. Esta melhoria, influenciou a consultoria de Somoggi a fazer um levantamento exlusivo do crescimento do futebol brasileiro até 2014. Em 2003, o Campeonato Brasileiro gerou uma receita de R$ 805 milhões, já em 2008 alcançou a faixa de R$ 1,7 bilhões, com um aumento de 115%, sendo que a maior parte desta melhora significativa se deu no setor da bilheteria, que reuniu uma crescente de 245%. Segundo a projeção, em 2014, a receita deve alcançar a casa dos R$ 3 bilhões, sendo que os patrocínios e a publicidade passam a ter o maior aumento.

A última palestra do dia, trouxe para o público Raul Corrêa da Silva, diretor de finanças do Sport Club Corinthians Paulista, com a palestra ”Valuation para a recuperação de uma paixão: A marca Corinthians”. Neste contexto, Raul apresentou as diversas formas que a direção, encabeçada por Andrés Sanchez, usou para revitalizar o clube, após a fracassada gestão de Alberto Dualib. Entre as ações implementadas, destaca-se a aproximação do clube com a torcida, a valorização da marca do clube, a análise detalhada do quadro financeiro, envolvendo diversos contratos, além da contratação do Ronaldo, que serviu para alavancar a imagem do clube, e ainda gerar receita com a aquisição.