2º dia SIMCOPA: Simpósio de Direito Desportivo e Gestão de Negócios para a Copa 2014

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Por Thomas Renan

O quarto painel do SIMCOPA, primeiro do segundo dia, abordou o tema de Copa do Mundo, Turismo e Resultados Econômicos. Fizeram parte da mesa, importantes nomes do ramo como André Luiz Macias, empresário na área turística e Vice Presidente da Federação Paranaense de Futebol, Edson Militão, que possui na sua carreira jornalística uma bagagem de nove Copas do Mundo, e Roberto Pinto da Silva Junior, especialista em gestão esportiva e coordenador do MBA em gestão profissional do futebol da UniCuritiba.

Roberto deu início ao painel focando o exemplo da excelente organização promovida por Barcelona nos Jogos Olímpicos de 1992. Segundo ele, se trata do melhor legado olímpico da história, que gerou diversas transformações urbanísticas, alavancando o turismo na cidade. A organização do evento, contou com a divisão das obras em duas grandes empresas criadas, a Coob’92 e Holsa, que buscando a máxima qualidade tanto esportiva como humana, equilibrou os gastos públicos e privados, fazendo com que Barcelona se tornasse após os jogos o sétimo maior centro turístico da Europa, e a segunda ao todo, caso se considere apenas as não-capitais. O mais curioso, segundo Roberto, foi que a base dos investimentos se concentraram em infra-estrutura, deixando o lado esportivo com uma ínfima parte. De acordo com dados, 43% dos investimentos foram destinados na melhoria de transporte e vias de acesso por exemplo, e apenas 9% no âmbito desportivo.

Seguido de Roberto, Edson Militão ministrou uma palestra que deu ênfase ao marketing em grandes eventos. Segundo o renomado jornalista, 1974 foi o marco para que a Copa do Mundo iniciasse um processo de comercialização. João Havelange, brasileiro que se tornou presidente da entidade máxima do futebol, teve grande parcela de contribuição, já que após sua posse, juntamente com representantes da Adidas, destinou uma grande verba para a melhoria do futebol em países de terceiro mundo, causando o ingresso de diversos outros patrocinadores, começando pela Coca-Cola, que já provocaram diversas mudanças econômicas na sequência dos Mundiais.

Já André Luiz Macias, especialista no ramo de turismo, abrangeu a possibilidade de buscar uma melhoria na imagem do Brasil com o direito de sediar a Copa do Mundo. Segundo Macias, o exemplo a ser seguido é a da Alemanha, que com uma gestão eficiente, transformou a ideia dos visitantes do país. No entanto, alertou que vê no transporte brasileiro uma dificuldade muito grande, fazendo com que se torne prioridade no quesito de melhoria, até mais que segurança.

O quinto painel trouxe ao público o seguinte tema: A estrutura do futebol e seus bastidores. Fizeram parte da bancada nomes como Marcelo Djian, empresário, ex-jogador de futebol, e representante do Paris Saint Germain, Lyon, Nantes e outros clubes franceses de futebol, Marcos Moura Teixeira, ex-auxiliar técnico do Real Madrid e consultor da SMC Sports, e Eric Alves Azeredo, advogado e especialista em relações trabalhistas e contratuais no desporto.

Eric abordou o tema oportuno da questão contratual entre clubes e jogadores. Ressaltou principalmente as divergências que ocorrem nas questões de contrato de imagem, e direito de arena, além de reforçar a importância de um acompanhamento adequeado a jovens de 16 a 20 anos, que já podem assinar seus primeiros contratos profissionais. Marcelo Djian, ex-zagueiro, e atualmente no ramo empresarial, aproveitou a questão abordada por Eric e ressaltou a importância da Lei Pelé na questão da liberdade do atleta, citando a necessidade de profissionalização dos clubes brasileiros. Além disso, relatou de forma precisa e objetiva a função de agente no futebol francês. Segundo Djian, a profissão no país se tornou muito complicada para estrangeiros, já que após 2004, quando foi decretado que apenas franceses poderiam mediar negociações, o agente de fora tem a necessidade de buscar um intermediário para transcorrer o negócio, sendo que muitas vezes o risco de encontrar profissionais de má fé existe. Na questão da escolha dos atletas para levar até o continente europeu, relatou preferir jogadores com um porte físico avantajado, e com a mentalidade ”pronta”. Salientou também, a organização do futebol francês em relação ao brasileiro. No país, a primeira parte das cotas de tv por exemplo, são divididas igualmente entre os clubes, sendo que o restante é destinado de acordo com a classificação da equipe, demonstrando a importância que a parte financeira exerce no futebol local, já que caso algum clube não cumpra com suas obrigações ao final da temporada, corre o risco de ser relegado a divisões inferiores.

Finalizando o painel, Marcos Moura Teixeira trouxe um pouco da sua vasta experiência em relação aos bastidores do futebol. Dividiu a palestra em temas relacionados as relações pessoais, destacando as dificuldades que a ausência dos familiares podem causar aos atletas em competições longas, e quanto as relações profissionais, chegando a criticao relações como futebol profissional de um clube com o departamento responsável pelas categorias de base, além do precária situação que vive o árbitro no país, tamanha a exposição e a insegurança com que acabam se deparando. Abordou o tema dos fundos de investimentos, prática que vem se tornando comum entre os principais clubes brasileiros, afirmando que desde que haja organização e profissionalismo acredita ser saudável. Marcos Moura, também relatou importantes experiências ao longo de sua carreira no futebol. Entre elas, destaca-se o fato de ter sido o primeiro membro da comissão técnica do Brasil em 98 a entrar no quarto de Ronaldo após o conhecido ocorrido, e o período em que permaneceu como auxiliar no Real Madrid, ressaltando o profissionalismo, desconhecido por muitos, de grandes estrelas como David Beckham, mas que havia sim um certo ciúmes por parte dos espanhoís em relação aos brasileiros que faziam parte do grupo.

O sexto e último painel, apresentou ao público o tema Mídia, Comunicação e o Futebol. Com importantes nomes da imprensa paranaense e nacional, a mesa foi formada por Rubens Pozzi, jornalista da ESPN Brasil, Cristian Toledo, jornalista da RICTV, Rádio BandaB, e o Estado do Paraná, Alphonse Voigt, coordenador do setor de esportes da Band do Paraná, e Adriano Hartmann, acessor de imprensa do Coritiba.

O debate transcorreu abordando diversos assuntos pertinentes em relação a mídia na Copa do Mundo. Segundo todos presentes na mesa, o mercado daqui pra frente, principalmente com a chegada do Mundial, sofrerá uma otimização, exingindo cada vez mais funcionários capacitados e multifuncionais, capaz de diversificar suas habilidades, além da necessidade de buscar capacitação nas questões que formam o futebol, como política, economia, administração, direito, entre outros assuntos. Rubens Pozzi, integrante da equipe esportiva da ESPN Brasil, ressaltou ao público a dificuldade de uma cobertura eficiente por parte de um meio de comunicação, opinião partilhada por Cristian Toledo, que também deve desembarcar na África do Sul com a equipe da Rádio BandaB. Segundo Pozzi, a demanda da ESPN Brasil para a cobertura do Mundial, exigirá cerca de 200 funcionários no país sede durante o torneio.

O encerramento do evento, ficou por conta das palestras de João Paulo Medina, criador do projeto Universidade do Futebol, e Oliver Seitz, pesquisador do PHD em Indústria do Futebol na Universidade de Liverpool, Inglaterra, e coordenador do Curso de MBA em Indústria do Futebol da Universidade Positivo. Medina, assim como outros palestrantes, ressaltou a importância da capacitação do profissional para que atenda as exigências do mercado de trabalho até, e durante a Copa do Mundo de 2014. Já Oliver Seitz, com base em análises, foi na contramão das teses positivas apresentadas pelos outros palestrantes, dizendo que a Copa no Brasil não seria uma prática viável.