40 anos da Tragédia de Viloco
Por Thomas Renan
No última dia 26 de setembro, completou exatos 40 anos da famosa Tragédia de Viloco, ocorrido que entristeceu e comoveu o futebol sulamericano na época.
1969, quando ainda o Campeonato Nacional se chamava Copa Simón Bolívar, o The Strongest, tradicional clube boliviano, já havia terminado sua participação na temporada oficial, quando foi chamado para a disputa de um torneio em comemoração ao feriado de aniversário da cidade de Santa Cruz de la Sierra no dia 24 de setembro. Com derrotas para o Cerro Porteño do Paraguai e um combinado de jogadores locais, o elenco da equipe, considerado fraco na época pela imprensa nacional, não imaginava que o pior estava por vir.
Com a saída do Aeroporto El Trompillo, em Santa Cruz de la Sierra, programada para o dia 26 de setembro, a delegação do clube, mais os nove tripulantes embarcaram na aeronave DC-6 da Lloyd com destino a La Paz. Cerca de 16:30 horário local, quando sobrevoava a região de Cochabamba, o piloto da companhia Lloyd Aéreo Boliviano, Teddy Scott Villa, realizou o último contato com o solo boliviano, até chegar a declarar emergência trinta minutos depois.
O sumiço da aeronave e a perda do contato com o piloto, já anunciavam uma provável tragédia, que de fato veio a se confirmar três dias depois pelas autoridades locais. A informação passada, era de que a aeronave havia se chocado contra uma precipitação montanhosa na região de La Cancha, localizada em Viloco. Ao total, 69 pessoas perderam a vida, dentre elas 16 jogadores e mais 3 integrantes da delegação.
O acidente envolveu uma série de curiosidades. Uma delas foi do capitão da equipe na época, que devido a uma gripe acabou ficando em La Paz. Segundo Rolando Vargas, que até hoje é um dos símbolos do clube, foi obra do destino. Além de Vargas, Marco Antonio Velasco e Luis Gini também não fizeram parte da delegação que viajou a Santa Cruz, ambos por motivo de lesão. No entanto, o fato mais curioso da tragédia ficou por conta do argentino Hernán Andreta Mendoza, que semanas antes da viagem já adiantava, com um tom de previsão, que 1969 seria seu último ano nos gramados, o que realmente veio a acontecer. Em meio a previsões e destinos, o fato mais triste da tragédia ficou por conta do paraguaio Armando Angelassio, que viu sua morte culminar com o dia do nascimento de sua filha, a qual nunca teria oportunidade de conhecer.
Por envolver uma região bem inacessível, a equipe de resgate enfrentou inúmeras dificuldades no reconhecimento dos corpos em Viloco. Cerca de 150 pessoas, incluindo familiares tiveram que se submeter a uma trilha a pé para conseguir chegar no local do acidente. No total, apenas 20 corpos acabaram sendo reconhecidos.
A comoção continental e até mundial tomou proporções inimagináveis. Desde ajuda dos clubes rivais bolivianos, até um amparo de grandes equipe da América do Sul como Boca Juniors e River Plate. No caso do Boca, o presidente na época Alberto J. Armando, que hoje dá o nome a La Bombonera, realizou diversos amistosos com intuito de reverter a renda para o The Strongest. Além da ajuda financeira, o clube ainda auxiliou com dois jogadores das categorias de base, Luis Fernando Bastida e Victor Hugo Romero, que viriam a se tornar grandes jogadores na história do clube de La Paz. Assim como os argentinos, o Brasil também se mobilizou em pról da tragédia. A CBF organizou um clássico entre Flamengo e Fluminense, para que a renda fosse destinada ao clube da capital. A ajuda dos rivais do The Strongest, veio principalmente do Bolívar, que se mostrando solidário a causa, tentou de todas as formas organizar amistosos em vários países para conseguir dinheiro no ideal de levantar o rival no cenário futebolístico do país.
” Em uma demonstração de carinho e respeito a memória dos jogadores mortos na tragédia, o elenco de 1970 realizou uma campanha honrosa no Campeonato Nacional”
A grande quantidade de ajuda, aliada a capacidade do grupo de empreendedores, como Rafael Mendoza, Asbún Antonio, María José Andreu e Retzchaird Maurício, que assumiram o clube após o acidente, fizeram com que o The Strongest se reerguesse no futebol local. Em uma demonstração de carinho e respeito a memória dos jogadores mortos na tragédia, o elenco de 1970 realizou uma campanha honrosa no Campeonato Nacional, terminando o ano na segunda colocação, atrás do Chaco Petrolero.


