A sétima edição da Copa do Mundo dos Sem-Teto vem aí. Já ouviu falar dela?

O sonho de qualquer menino que goste de futebol, qual é? Vestir a camisa de sua seleção e disputar uma Copa do Mundo, certo?

Talvez não tenha sido exatamente esse o desejo dos participantes das Copas do Mundo de Sem-Teto, mas por força do destino, ou mesmo necessidade, acabaram disputando, não o maior mundial existente entre nações, que é o que ocorre de quatro em quatro anos, mas o que busca de fato uma inclusão social, e que tem como o foco principal, fazer com que os participantes busquem no esporte, um refúgio para os problemas.

A competição, para muitos desconhecida, ocorre anualmente, sempre tendo uma cidade como sede dos jogos. Diferentemente do futebol profissional, o torneio é disputado em pisos de borracha, e as partidas têm duração de 14 minutos, 7 cada tempo, sendo 5 atletas para cada seleção, e ao contrário do que alguns pensam, que se trata de algo amador, o projeto possui suporte da UEFA, Nike, além de famosos jogadores, caso de Drogba e Ferdinand.

ball
O projeto é um grande exemplo de inclusão social

A intenção principal é reunir pessoas acima de 16 anos, que ficaram sem abrigo no periódo sucessor a última edição do torneio, e que vivam da venda de publicações de rua, caso da revista brasileira Ocas(Organização Civil de Ação Social), que organiza a equipe brasileira. A competição ainda trás uma regra interessante, já que permite times mistos, ou seja, homens e mulheres jogando juntos.

E de fato, as melhorias foram significativas desde que surgiu o projeto. Segundo dados pesquisados pelos organizadores, 28% dos participantes arrumaram emprego, 32% voltaram a estudar, 93% encontraram uma nova motivação em suas vidas, e 71% passaram a praticar o esporte regularmente.

As regras são semelhantes ao futebol profissional, já que a vitória vale três pontos. O que muda, é que em caso de empate, a decisão passa a ser nos pênaltis, em que o vencedor recebe os mesmos três pontos, no entanto, a seleção derrotada acaba ganhando apenas um.

O torneio, que já vai para sua sétima edição, surgiu da idéia de Mel Young e Harald Schmied, que se uniram em busca da união dos desabrigados pelo mundo, e 18 meses após as primeiras reuniões, a primeira Copa do Mundo de Sem-Teto saiu do papel, e foi disputada em Graz, na Áustria, em 2003. E foi nela que o Brasil obteve sua melhor participação, um quarto lugar na época. A seleção anfitriã levantou o caneco.

No entanto, os principais resultados apareceram fora das quadras, haja vista que 31 dos 141 jogadores da edição conseguiram um emprego após a competição. Em 2004, o torneio ganhou a participação de mais 11 seleções, na edição que foi sediada em Gotemburgo, na Suécia. Na ocasião, a Itália não deixou a seleção austríaca defender o título de 2003, e a venceu por 4-0 na final.

homeless-world-cup_1127972c
A competição, que é realizada anualmente, recebe apoio de diversas entidades

Em 2005, talvez o primeiro grande incidente do torneio. A cidade sede, a princípio seria Nova Iorque, mas por problemas de entrada no país, a cidade escolhida para sediar foi Edimburgo, na Escócia. Tudo parecia resolvido, até que cinco países africanos se recusaram a entrar no Reino Unido, fazendo com que a edição fosse composta por 27 equipes, duas a menos que em 2004. Problemas a parte, a Itália acabou conquistando o bi-campeonato.

Já em 2006, foi a edição com número recorde de participantes até então. A competição sediada por Cape Town, na África do Sul, contou com 48 equipes e 496 atletas. A seleção vencedora foi a da Rússia, e Cazaquistão ficou com o vice. A competição de 2007, reuniu o mesmo número que em 2006, e teve Copenhague como a cidade responsável pelos jogos. Os quatro primeiros foram Escôcia, Polônia, Libéria, e a Dinamarca, respectivamente.

russia-homeless-world-cup
Seleção Russa comemorando o título de 2006

A última edição aconteceu em Melbourne, e contou com um número recorde de seleções envolvidas, 56. O ano de 2008 também foi especial para o torneio, já que conseguiu reunir oitos equipes compostas apenas por mulheres, fazendo assim com que fosse realizado a primeira competição exclusivamente feminina, a qual a seleção de Zâmbia acabou levantando a taça. Pela ala masculina, o título ficou com Afeganistão.

Para 2009, a cidade italiana de Milão foi escolhida como sede da Copa do Mundo dos Sem-Teto, que reunirá 700 jogadores de 64 países, e será realizada em setembro. Os jogos deste ano serão no coração da cidade, o Sempione Park. A edição terá apoio de várias entidades, como a Federação Italiana de Futebol, a Inter de Milão, entre outras, e segundo Mel Young, presidente e um dos idealizadores do projeto, a Itália tem paixão pelo futebol, e se mostrou à favor da causa proposta pelos campeonatos.

A boa notícia para o Brasil, que ainda busca o título inédito do torneio, é que o mundial de 2010 será sediado pelo Rio de Janeiro, e terá Copacabana como palco das partidas.

”Será uma honra receber países de todo o mundo para este grande evento no Brasil. Certamente a Homeless World Cup 2010 será uma grande oportunidade para sensibilizar a sociedade sobre aspectos importantes relacionados às pessoas que estão submetidas às maiores condições de vulnerabilidade e exclusão social, além de permitir demonstrar como o Esporte pode ser uma ferramenta eficaz no processo de formação e inclusão social” afirmou Julio Filgueira, Secretário Nacional do Ministério dos Esportes.

Mais um exemplo de que o esporte pode mudar vidas !

Veja os vídeos que o Plano Tático separou para você:

Documentário sobre a edição de 2006:
Imagem de Amostra do You Tube

Comemoração da seleção da Escôcia após o título dem 2007:
Imagem de Amostra do You Tube

Caso queiram assistir outros vídeos, basta digitar ”Homeless World Cup” no youtube. Muitos documentários, e filmagens em geral podem ser encontradas lá.

Fotos:

www.theoffside.com
www.telegraph.co.uk

Comments

  • Breiller Pires said:

    Muito legal a matéria. Ano passado, se não me engano, o Esporte Espetacular produziu uma reportagem especial sobre a Copa dos Sem Teto. Sem dúvidas, uma ferramenta e tanto de inclusão social, principalmente por incluir, também, as mulheres. Vai ser muito bom para o Brasil receber a edição de 2010, ainda mais pelo fato da sede ser Copacabana. Dará uma visibilidade boa para o evento e para o país, que pode reforçar ainda mais a marca de “terra do futebol” para a Copa 2014.

    Abraço!

Trackbacks

There are no trackbacks