A tragédia que dizimou uma das melhores gerações do Uzbequistão

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Por Thomas Renan

Fundado em 1956, o Pakhtakor Tashkent se encontra atualmente no status de uma das principais forças do futebol uzbeque. Tradicional clube da região, já venceu o Campeonato Nacional do Uzbequistão em 8 oportunidades, sendo 6 delas, de forma consecutiva. O sucesso atual, é fruto do bom trabalho realizado pelo clube ainda quando disputava a Liga Soviética. Conquistou o posto de de ser a única equipe do Uzbequistão a disputar a elite soviética, além do título da Taça Soviética, inédito entre os clubes da Ásia Central. Feitos importantes, mas que acabam sendo ofuscados quando o assunto é 1979.


Sempre regular nas competições soviéticas, o clube vinha de um importante acesso conquistado em campo no ano de 1977, ganhando o direito de disputar a elite da região. Logo na primeira temporada, conquistou uma respeitável campanha na Soviet Top League, correspondente a primeira divisão, ao terminar a temporada na décima primeira colocação, a frente de grandes potências da época como Lokomotiv Moscow, Dnipro Dnipropetrovsk e Ararat Yerevan. Em 1979, uma campanha ainda melhor, culminando com o nono lugar, mas que dificilmente será lembrada devido ao dia 11 de agosto.

A delegação da Pakhtakor Tashkent fazia a rota Tashkent – Donetsk – Minsk para atuar contra o Dinamo Minsk em partida válida pela primeira divisão. Enquanto sobrevoava a região que atualmente corresponde a Ucrânia, o trafégo aéreo soviético teve problemas, o que ocasionou um violento choque entre dois Tupolev 134As da Aeroflot, e a consequente queda das duas aeronaves. No total foram 84 mortes em apenas uma delas, sendo 17 da delegação do clube. Entre os vitimados, se encontram grandes nomes da era soviética como Mikhail Ivanovich An, Vladimir Ivanovich Fyodorov, Alim Masalievich Ashirov, Nikolai Borisovich Kulikov e Vladimir Makarov.

Mikhail Ivanovich An

Com passagens por pequenos clubes do Uzbequistão, Mikhail chegou ao Pakhtakor Tashkent em 1971. Ao longo das temporadas, somou 233 partidas e 50 gols pelo clube da capital. Chegou a fazer parte da lista dos três melhores jogadores dos Campeonatos Soviéticos na época, fazendo com que surgisse a oportunidade de atuar pela seleção da URSS. Após estreiar em 1978 contra o Irã, o jogador era nome frequenta nas listas nacionais, até ter sua carreira tragicamente interrompida em meados de 1979.

Vladimir Ivanovich Fyodorov

Inserido nos anais da história do clube uzbeque como um dos maiores artilheiros, Fyodorov estreiou profissionalmente com apenas 16 anos. Nos anos em que esteve a serviço do Pakhtakor Tashkent, somou 187 partidas e 58 gols. Pela URSS, debutou representando a nação aos 18 anos em partida válida pelas Eliminatórias da UEFA. Ao longo das 18 partidas que atuou pela seleção soviética, teve na medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1976 o feito mais importante em sua curta carreira, que teve fim aos 24 anos após o desastre aéreo de 1979.

Alim Masalievich Ashirov

Assim como Fyodorov, o zagueiro uzbeque Ashirov também possuia apenas 24 anos na triste tragédia de 1979. Desde 1972 no clube, fez parte do grupo que conquistou o título da Soviet First League, equivalente a segunda divisão, em 1972. Ao todo pelo clube, foram 149 presenças como titular.

Nikolai Borisovich Kulikov

Um dos maiores nomes que faziam parte do grupo que foi vitimado em 1979. Com passagens por grandes clubes soviéticos como Dinamo Moscow, o zagueiro desembarcou no Pakhtakor Tashkent em 1976. Mesmo com apenas 21 partidas ao longo de sua passagem até 1979, Kulikov conquistou os torcedores locais com sua inteligência em campo, além do respeito que tinha com seus adversários.

Vladimir Makarov

Expoente no elenco de 79, o atacante era um exemplo para os mais jovens da equipe na época, já que possuia o posto de um dos mais experientes. Com passagens por importantes clubes do Tadjiquistão e da Ucrânia, Makarov chegou ao clube uzbeque em 1978. Ao todo, apareceu em 42 oportunidades, marcando 6 gols, até a sua trágica morte em 1979.

A reestruturação

Dizimado pela tragédia, a equipe pouco pôde fazer no restante da competição em 1979. Mesmo assim, o Pakhtakor Tashkent, em um grande ato solidário, recebeu diversos jogadores por empréstimos das mais variadas equipe que disputavam a elite soviética. Com o auxílio, a equipe se mostrou valente e terminou o ano na nona colocação. Sem poder de reação, a equipe não conseguiu reagir nos anos seguintes. Tanto em 1980, como em 1981, terminou com uma fraca campanha no Campeonato Nacional, não sendo rebaixado pelo saldo de gols e por apenas três pontos nas respectivas temporadas. O ocorrido mais relevante nestas duas edições, foi o ótimo retrospecto de Andrei Yakubik, que com 13 gols figurou entre um dos principais artilheiros do ano. Em 1982, a equipe voltou a ser uma das principais equipes da região. Com uma honrosa campanha, comandada pelo mesmo Andrei Yakubik, que foi o artilheiro da edição, o Pakhtakor Tashkent terminou o ano na sexta colocação, desbancando grandes adversários como CSKA, Shakhtar Donetsk e Zenit.

Após o ocorrido em 1979, o clube promove todos os anos, no mês de agosto, uma competição juvenil em memória dos jogadores mortos no desastre aéreo.

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