Alianza Lima: O desastre aéreo que acabou com uma geração

ventanilla

Por Thomas Renan

Uma tragédia que gera discussões e dúvidas até os dias de hoje. Mitos, curiosidades, especulações, tudo isso gira em torno das possíveis causas do desastre aéreo de Ventanilla, que tirou a vida de todos os passageiros, incluindo a delegação do Alianza Lima e alguns torcedores, exceto do piloto Edilberto Villar Molina, que atualmente vive em terras australianas.

Os anos 70 e 80 para o futebol peruano o colocavam como a quarta força do futebol sulamericano na época. Disputando as Copas do Mundo de 1978 e 1982, apesar das fracas campanhas, os peruanos se enchiam de orgulho de um esquadrão que fazia surgir grandes jogadores do país. No entanto, essa safra promissora foi interrompida brutalmente no final de 1987.

Como grande potência daquele ano, o Alianza Lima esperava recuperar a hegemonia nacional após a época de ouro nos anos 70, quando venceu a primeira divisão em três oportunidades. O elenco com o decorrer da temporada, se tornou não só favorito ao título nacional, como também a base da seleção peruana da época. Sem dificuldades, a equipe da capital liderava a competição, até o inesquecível início de dezembro em 1987.

Com a liderança consolidada, e já apontado como certo na conquista do Campeonato Peruano, o Alianza Lima foi para Pucallpa disputar mais uma partida da reta final da competição, contra o Desportivo local. Após vencer o duelo por 1-0, com gol de Carlos Bustamante, e se aproximar ainda mais do título, a volta para Lima estava programada para o dia 8 de dezembro.

O retorno, com o jatinho fretado Fokker 27 MPA, da Marinha de Guerra do Peru, estava ocorrendo normalmente até o início das procedências de pouso já próximo ao Aeroporto Internacional Jorge Chavez, que se situa em Callao, a 10 km de Lima. Com problemas no trem de pouso, o piloto da aeronave se mostrava nervoso diante da situação provocando diversas manobras irregulares, até perder o controle ocansionando a queda nas águas no Mar de Ventanilla. Segundo relatos do próprio piloto Edilberto Villar Molina, único sobrevivente da tragédia, apenas Alfredo Tomassini, atleta da equipe, conseguiu resistir a queda, mas não a espera interminável nos mar peruano.

Com o elenco desmantelado, a reta final do Campeonato Peruano para o Alianza foi insustentável. Atuando apenas com alguns jogadores que não viajaram por questão de contusão e suspensão, caso de Juan Reynoso, Richard Garrido, Javier Castillo, Benjamin “Colibri” Rodriguez e César Espino, além de jogadores juvenis e atletas emprestados pelo Colo Colo do Chile, equipe que se solidariezou diante a tragédia, o Alianza não conseguiu manter a liderança da competição, cedendo o título ao Universitário. No entanto, o elenco que finalizou o nacional ainda conquistou uma vaga para a Libertadores de 1988.


Suposições e rumores são colocados a tona até os dias de hoje no país sobre a possível causa do acidente do dia 8 de dezembro de 1987. Relatórios que foram finalizados recentemente em 2006, apontam que o piloto da aeronave não tinha experiência suficiente para realizar vôos noturnos, e diante problemas técnicos detectados no avião. Outras especulações, apontam teses de que a aeronave da marinha possuia em seu vôo uma quantidade exorbitante de cocaína, escondida em seus compartimentos. Estudiosos do acontecimento, também supõem uma conversa entre Edilberto Villar Molina e Alfredo Tomassini enquanto esperavam o resgate. O suposto diálogo entre o piloto e o jogador, resultou na teoria que o nervosismo dos jogadores do Alianza ao tomar conhecimento da situação, fez com que a tripulação perdesse o controle da aeronave.

Apesar dos inúmeros boatos acerca do desastre aéreo, o certo é que o país perdeu uma série de jogadores promissores. Além das baixas humanas, o Alianza Lima passou um por período sem inspiração após a tragédia. Na Libertadores do ano seguinte por exemplo, a equipe encerrou a participação em última na chave, inclusive perdendo em duas oportunidades para o Sport, um dos brasileiros que disputaram a competição. Já no certame nacional, a equipe foi conhecer os tempos de glórias apenas 10 após o acidente, quando venceu o campeonato peruano de 1997.