As Copas do Mundo alternativas
Por Ian Rafael
Esse ano tivemos Copa do Mundo de Futebol? Sim! E não estou maluco não. Mas é fato que a competição realizada desse ano não foi organizada pela FIFA, não teve transmissões para o mundo todo e muito menos os craques que gostamos de ver em campo. Nesse ano, na Padânia, região do norte da Itália, parte mais rica do país, foi realizada a terceira Viva World Cup.
O torneio que teve a participação de 6 equipes, foi organizado pela NF-Board, federação que contém países e regiões não afiliadas à Fifa, justamente por não terem autonomia política ou já estarem representadas de outra forma na federação futebolística. Um exemplo, é a equipe de Gozo. A seleção representa a ilha de Gozo e de Comino, que fazem parte de Malta, um país filiado à Fifa. No mesmo grupo que Sápmi, um aglomerado de pessoas que vivem na Escandinávia e Rússia, e Provence, um território francês, Gozo terminou na última colocação, não conquistando nenhum ponto.
No grupo mais forte, a seleção da casa venceu o Iraque Curdo e a Ocitânia, área aonde a língua occitana é falada. Nos jogos da Padânia, os públicos chegaram a ser de 1000 pessoas. Na final, o Iraque Curdo caiu para os jogadores da casa por 2-0, gols de D’Alessandro e Andrea Casse, no Estádio Marcantonio Bentegodi, em Verona, com 4 mil pessoas acompanhando.
Foi o bi-campeonato da Padânia, afinal a competição está na terceira edição. Ano passado, em Sápmi, a Padânia foi campeã vencendo os Arameans Suryoye, os assírios! E em 2006, na primeira Viva World Cup, Sápmi impôs uma goleada monstruosa pra cima de Monaco. 21-1, no torneio da Ocitânia.

Seleção da Padânia comemorando o título.
O sucesso é grande e em 2010 existem 3 filiados competindo a chance de sediar esse evento tão inusitado, mas que atrai público e mídia, principalmente na época de Copa do Mundo (a verdadeira, claro). Padânia, Iraque Curdo e Gozo disputam para ver quem terá a honra de receber craques como Erik Lamoy, Tom Hogli e Steffen Nystrom, os maiores artilheiros de todos os tempos na competição, muito pela goleada em Monaco, em 2006.
Apesar de ser caro e difícil organizar uma competição interessante, esta Viva World Cup não é a única a contar com regiões, países e povos disputando um “título mundial de futebol”. A FIFI Wild Cup é outro exemplo desses torneios que reúnem gente comum em torno do futebol, mas que ganham espaço por conta de tamanho investimento e “esquisitice” envolvida. A FIFI, Federação Internacional de Futebol Independente, organizou em 2006 um torneio adivinhe aonde…na Alemanha, que recebeu a Copa do Mundo mais famosa no mesmo ano, vencida pela Itália. O Chipre do Norte venceu Zanzibar, parte da Tanzânia, nos pênaltis e conquistou o primeiro título. A decepção ficou por conta da República de St. Pauli, organizadora do torneio que perdeu na decisão de terceiro e quarto para Gibraltar, um território britânico. Participaram também o Tibet, que chegou a sofrer para participar, por conta de uma carta do governo chinês impedindo o convite e a Groenlândia, que vai sediar a próxima FIFI Wild Cup, em 2010.
O terceiro torneio da categoria é a ELF Cup, também vencida pelo Chipre do Norte, em cima da Criméia, região autônoma da Ucrânia. Os times de futsal de Tadjiquistão e Quirquistão, membros da FIFA e da AFC, foram os representantes de “honra” da competição, que contou com a participação da Gagauzia, uma região da Moldávia.
Fotos:
shanghaiist.com
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