Köpetdag Aşgabat – O clube que lançou Gurban Berdiýew para o futebol
Por Thomas Renan
A matéria especial de um time decadente, desembarca hoje no Turcomenistão, país localizado na Ásia Central, e que abrigou desde a sua independência da URSS em 1992, um dos governos mais excêntricos até então. Saparmyrat Nyýazow, comandou o golpe contra o líder da URSS, Mikhail Gorbatchov, que mais tarde resultaria na proclamação da indepedência do país. Comandando Turcomenistão de 1992 até 2006, até sua morte, Nyýazow caracterizou seu governos com bases autoritárias, e um tanto quanto excêntricas. Dentre os anos no governo, adotou políticas inusitadas como construções que vão desde pirâmides até a alteração dos nomes dos meses no calendário local, para homenagear seus familiares.
Neste contexto político, se consolidou no cenário esportivo turcomeno, um clube chamado Köpetdag Aşgabat, localizado na capital e que se tornou o maior vencedor do certame nacional desde a fundação da Ýokary Liga em 1992. Criado em 1946, o Köpetdag Aşgabat iniciou sua caminhada atuando pelo terceiro escalão das Ligas Soviéticas. Logo no primeiro ano de existência, chegou em terceiro na Soviet Second League, correspondendente a terceira divisão na URSS, garantindo acesso a Soviet First League, segunda divisão na época.
Entre os anos das extintas competições soviéticas, o Köpetdag Aşgabat passou por vários processos de mudança de nome. Na década de 50, chegou a se chamar Spartak Ashgabat, Ashgabat Kolhozçi, e na última mudança antes de consolidar o nome atual, Stroitel Ashgabat. Entretanto, nunca conquistou uma representativade no futebol soviético, alternando entre o segundo e o terceiro escalão nacional, sem sequer disputar a elite.
Com a independência do país, e a criação da Associação de Futebol Turcomena, o Köpetdag Aşgabat passou a vivenciar tempos aúreos desde a sua fundação. Faturando as quatro primeiras edições da Ýokary Liga, somada com as Copas Nacionais de 1992, 93 e 94, a equipe garantiu de forma precoce a hegemonia esportiva no país. O expoente dessa fase gloriosa, era o antigo zagueiro/volante Gurban Berdiýew, que atuou no clube de 91 até 96. Berdiýew ficou conhecido no futebol mundial, por ter transformado o Rubin Kazan em uma das potências russas, após levar o clube aos títulos da segunda e da primeira divisão, além da histórica vitória frente ao Barcelona em pleno Camp Nou. No total, Berdiýew somou 134 presenças nas temporadas em que permaneceu no Köpetdag Aşgabat.
Sem títulos até 1997, com a chegada do artilheiro Valeri Masalitin, a equipe de Aşgabat retomou o rumo das conquistas. Masalitin, que detém o recorde de mais gols em uma partida na Liga Soviética após balançar as redes cinco vezes na vitória do CSKA sobre o o Rotor Volgograd em 1990, foi um dos responsáveis pelos títulos da Taça de 1997, e da Ýokary Liga em 98. Na mesma temporada, ainda participou da campanha histórica do clube na Recopa da AFC. Após eliminar adversários como Neftchi Farg’ona, do Uzbequistão, Kairat Almaty, do Cazaquistão, Al Shorta, do Egito, foi ser eliminado apenas nas semi-finais para o Al-Nasr, que jogava em casa já que a Arábia Saudita sediava o evento.
Mesmo com as conquistas das Taças de 1999, 2000 e 2001, além da Ýokary Liga de 2000, Köpetdag Aşgabat já dava mostras de deterioração consequente das imensas dívidas financeiras, e dos envolvimentos políticos. O mais recorrente, foi com Bairam Shikhmuradov, que presidiu o clube de 1994 até 2000. Bairam é filho de Boris Orazowiç Şyhmyradow, Ex-Ministro das Relações Exteriores do país, e que hoje cumpre sentença de prisão perpétua após participar de um golpe contra o então presidente Saparmurat Niyazov em 2002, fato que acabou atingindo mesmo que indiretamente o clube da capital.
Desde então, a equipe chegou a disputar a Ýokary Liga todos os anos, mas sempre desempenhando campanhas medianas que passam longe do auge do clube nos anos 90. Em 2007, o Köpetdag Aşgabat disputou sua última temporada, conquistando o penúltimo lugar na competição nacional, fazendo com que a situação financeira se tornasse insustentável e o fim do clube inevitável.
