Manchester United – O fim dos ”Busby Babes”
Por Thomas Renan
Quando o assunto é Manchester United, imediatamente vem na cabeça lembranças gloriosas, repletas de conquistas, grandes jogadores, gerações inesquecíveis, entre outros fatos importantes. No entanto, a equipe do Old Trafford já conviveu com o outro lado da moeda, que foi uma tragédia que perdura na mente dos torcedores até os dias de hoje.
A chamada Era Busby foi responsável pela primeira geração de ouro dos Reds até então. Embora tenha conquistado alguns títulos nacionais no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, o clube passou a ganhar notoriedade continentalmente falando após a contratação do escocês Matt Busby, que desembarcou no Old Trafford como uma espécie de ”Manager”, responsável pelas questões diretivas, além de comandar a equipe no gramado. Logo nos primeiros anos, uma melhora considerável nas campanhas do clube durante as temporadadas, haja vista os títulos da FA Cup e do Campeonato Nacional, este último após 51 anos de jejum. Em 55/56, o clube desempenhou uma campanha espetacular durante a temporada, garantindo o título nacional. O estilo da equipe atuar chamou tanto a atenção, que o elenco da época ficou conhecido como ”Busby Babes”, em menção ao treinador vitorioso. Com o título nacional, se tornou a primeira equipe inglesa a disputar a Liga dos Campeões da Europa, na temporada seguinte. Desempenhando um papel honroso na competição continental, só foi parar nas semi-finais, após ser eliminado para o poderoso Real Madrid de Alfredo di Stéfano. Na mesma temporada em que desfilou a genialidade da geração Busby em gramados europeus pela primeira vez de forma oficial, o Manchester United também garantiu de forma soberana o bi-campeonato inglês, além do direito de disputar de forma consecutiva a Liga dos Campeões.
O calendário cheio, a torcida esperançosa, além de um elenco competitivo, tudo isso gerou uma demanda maior para que houvesse uma otimização nas viagens do clube durante a temporada. A opção da diretoria, junto com Busby, foi a de fretar um avião para as partidas durante a competição continental. Apenas não imaginavam que esta escolhia seria fatal ao longo do ano, culminando com uma das maiores tragédias envolvendo um elenco futebolístico.
No início de 1958, mais precisamente no dia 06 de fevereiro, a equipe se dirigiu até Belgrado, na antiga Iugoslávia para a o duelo contra o Estrela Vermelha, em decorrência das quartas-de-final da Liga dos Campeões. Após vencer a primeira partira em Manchester por 2-1, os Reds conquistaram um empate por 3-3 frente aos iugoslavos, que o garantiram entre os quatro melhores do continente na temporada. Em clima de festa, o elenco comemorou com um grande banquete no hotel em Belgrado, até o embarque para o retorno até a Inglaterra. Com um bimotor Airspeed Ambassador, construído pela De Havilland, a delegação do clube, mais os jornalistas e a tripulação que estava no vôo se viu obrigado a fazer uma escala em Munique para o reabastecimento da aeronave. Após reabastecer, o piloto tentou por duas vezes a decolagem, mas sem sucesso, devido principalmente ao inverno com muita neve que assolava o velho continente, até que na terceira tentativa o avião chegou a levantar vôo, mas pouco tempo depois acusou um problema no motor, que culminou com a queda e o choque em árvores, e em uma velha residência próximo ao aeroporto, na região da Baviera.
Apesar da eficiência do corpo médico, que poucos segundos após o desastre, já estava socorrendo os passageiros, poucos integrantes da delegação sobreviveram. Entre os sobreviventes estavam Bobby Charlton, que mais tarde em 66 viria a ser campeão mundial com a Inglaterra, e o responsável pela geração vitoriosa, Matt Busby, que ficou gravemente ferido, chegando a receber por duas vezes extrema unção. Ao todo, 28 pessoas perderam suas vidas na tragédia, entre jogadores, diretoria e jornalistas.Duncan Edwards, um dos principais jogadores do elenco, e que integrava o selecionado inglês na época, chegou a dizer na segunda tentativa de decolagem que estava preparado para ”partir” segundo relatos de sobreviventes do acidente.
O processo de reestruturação do clube foi lento e gradual. No mesmo ano, acabou caindo para o Milan nas semi-finais da Liga dos Campeões, e chegou até a decisão da Copa da Inglaterra, sendo derrotado para o Bolton. Com a volta de Busby ao comando da equipe, já recuperado do acidente, os Reds na temporada seguinte conquistaram um heroíco vice-campeonato inglês, fazendo com que as portas para as glórias se abrissem novamente. A chegada do polêmico, mas genial George Best em meados de 1958 também se tornou peça chave no retorno do clube as conquistas no cenário nacional e continental.

