O orgulho checheno na terra da vodca – Parte 1
Por Matheus Laboissière
A história do Dynamo começa em 1946, logo após o fim da 2ª Guerra Mundial, num momento bastante complicado para a população chechena. Região anexada desde quando a Rússia era um império (Império Russo), em 1859, a Chechênia sofria mais um dos abalos provenientes das forças russas (à época União Soviética). No período compreendido entre os anos de 1947 e 1952, a população, acusada de colaboração com os nazistas, foi deportada para a Sibéria e para o Cazaquistão, uma República Socialista Soviética, hoje independente. Cerca de 10.000 pessoas morreram.
Os primeiros registros do Dynamo dão conta do ano de 1958, em que os chechenos deportados puderam voltar para suas casas. O Dynamo passou a se chamar, naquele período, Terek Grozny, nome que carrega até hoje (em 1948, o Dynamo já havia mudado de nomenclatura, para Neftyanik). A equipe figurava numa espécie de 3ª Divisão da União Soviética (Klass B, Zone 4) e ficaram em oitavo, dentre 16 equipes (14v, 5e, 11d), com 33 pontos em 30 jogos, longe da promoção.
Na temporada seguinte, o Terek Grozny ficou na segunda posição, com 35 pontos (14v, 7e, 5d), mas não conseguiu subir de divisão. Em 1960, a capital da Chechênia, Grozny, viu o clube local terminar na lanterna da Klass B, com dois pontos em quatro jogos e nenhuma vitória.
Ascensão
O primeiro ano em que a torcida do Terek Grozny pôde, enfim, comemorar, foi 1964. Pela Klass B, Zone 4, o Terek ficou na segunda posição, com 44 pontos (15v, 14e, 5d), e se classificou para o primeiro playoff de promoção.
Com apenas um derrota em cinco jogos, o Terek Grozny avançou para o quadrangular final, que promovia três equipes para a Klass A2. Resultado: o Terek Grozny ficou em primeiro e acabou subindo para 2ª Divisão do futebol soviético.
Porém, a primeira temporada (1965) na Klass A2 não foi muito boa e o Terek Grozny acabou rebaixado para a Klass B, ao somar apenas 25 pontos em 30 jogos (10v, 5e, 15d), terminando na 13ª posição, dentre 16 equipes.
É importante salientar que a Chechênia, assim como as outras hoje ex-repúblicas soviéticas, continuavam anexadas à União Soviética. A língua oficial era o russo, exigida pelos dominadores, enquanto a comunicação em dialeto checheno era proibida – as escolas não podiam ensinar a língua natal.
Nova melhora
Nos anos seguintes, o Terek Grozny ficou rondando os playoffs da 3ª Divisão sem, no entanto, conseguir ascender à 2ª Divisão. O clube só voltou à Pervaja Liga, nova nomenclatura da 2ª Divisão soviética, em 1976, depois da primeira posição nos playoffs da Zona 3 da 3ª Divisão (3v, 2e, 0d).
A permanência do clube na 2ª Divisão não se ateve somente à luta contra o rebaixamento. Na segunda temporada (1977), por exemplo, o Terek Grozny alcançou a sétima colocação, a treze pontos do campeão e promovido Spartak Moscou, que somou 54.
A 1ª Divisão se aproximava a cada ano. Em 1977, quinto posto, a 12 pontos do terceiro colocado, Dinamo Minsk (localizado na Bielorússia, hoje um país independente). No entanto, a temporada seguinte não foi boa para os chechenos, que voltaram à Vtoraja Liga, o terceiro nível do futebol soviético, depois da 19ª posição entre 24 clubes.
Período difícil
Durante seis anos (1982 a 1988), o Terek Grozny não disputou a 3ª Divisão, o que pode ser explicado pelas dificuldades que o povo checheno enfrentava. Os trabalhadores russos e os argelinos – advindos da colônia França – tinham os maiores salários, enquanto apenas os russos podiam ocupar cargos no governo. Além disso, os empregos da chamada economia informal eram o único posto ao qual os chechenos tinham direito, dentro da terra de seus ancestrais.
A condição inferior em que os chechenos se encontravam foi o marco inicial da afirmação da unidade nacional, já que a população começou a roubar os russos endinheirados, com a justificativa de que estava recuperando aquilo que deles havia sido retirado. Em 1988, ano em que o Terek Grozny voltou a disputar a Vtoraja Liga (3ª Divisão), os chechenos organizaram o Movimento Nacionalista do Cáucaso, região em que se localiza o território, montanhoso. O Terek ficou em nono (12v, 7e, 11d), dentre 16 equipes.
Modificações
Porém, a partir de 1989, o campeonato soviético sofreu mudanças em suas divisões. A 3ª, que um ano antes tinha nove grupos, passou a ter cinco. Em 1991, foram apenas duas divisões, o que causou nova saída de cena do Terek Grozny.
O clube estava novamente parado, sem aspirações esportivas. A União Soviética dava sinais de enfraquecimento, o que era bom para os chechenos, que queriam ser totalmente livres do controle russo, mas que não abrandava a preocupação com um futuro que aparentava ser difícil para aquela região.
Amanhã, terça-feira, confira o resto desta reportagem e saiba o que os anos seguintes guardavam, tanto para o Terek Grozny, quando para o território checheno. Aguarde, leitor Plano Tático!




