O precário futebol em Belize: A conquista da seleção ofuscada pelos problemas

Por Thomas Renan

Da capital Belmopan até a agitada da Cidade de Belize, das belezas praianas de Punta Gorda até Corozal, das marcas históricas deixadas ao longo de seus anos de pré e pós-independência até a diversidade cultural que marca a população local. É seguindo este rumo que Belize ainda caminha com dificuldades quando o assunto tratado no país é futebol. Como forma de mostrar um pouco mais do esporte mais popular do planeta nesta região, realizamos uma série que será apresentada ao leitor em duas partes.


Parte 2

Uma conquista histórica

Diante tantos ocorridos políticos relacionados ao futebol em Belize, pouco se falou da histórica vitória por 3-1 sobre São Cristovão e Névis pelas Eliminatórias. Que pese a questão do mando de jogo, o resultado entra para a história como a primeira vitória do país em partidas válidas pelas Eliminatórias para as Copas do Mundo. Dois nomes em especial marcaram este confronto para os belizenhos: Deon McCauley e Harrison Róchez.

Deon McCauley iniciou sua carreira profissional atuando pelo Defence Force de Belize. Permanecendo apenas uma temporada na equipe, acabou se transferindo para a Costa Rica para atuar pelo Puntarenas Fútbol Club Sociedad Anónima Deportiva. Na última temporada, o atacante de 22 anos pouco apareceu na Primera División de Costa Rica, conhecida como UNAFUT, na campanha que culminou com o sétimo lugar geral. Pela seleção de Belize, já soma 4 convocações, com dois gols marcados, sendo os dois na vitória sobre São Cristovão e Névis.

Harrison Dwith Róchez deu seus primeiros passos no esporte atuando profissionalmente pelo Acros Brown Bombers, modesto clube belizenho, ainda com 20 anos de idade. Entre 2004 até meados de 2007 rodou diversos clubes no país, destacando-se as passagens pelo Boca Football Clube, sendo campeão Belize Premier League e pelo New Site Erei de Dangriga, onde também se sagrou campeão nacional, em 2005/2006. Atualmente, atua pelo Desportes Savio, da Primeira Liga Hondurenha. Pela seleção, o meio-campo já soma 11 convocações e um gol, justamente na partida contra São Cristovão e Névis.

O artilheiro sem divisão

Dion Frazer, natural da capital Belmopan, iniciou sua carreira ainda muito jovem atuando pelo Hankook Verdes, clube que disputa a Belize Premier Football League. Maior artilheiro da história da seleção nacional, com cinco gols, em 2003, teve a primeira experiência na Super League de Belize, divisão criada para as equipes que não são afiliadas a federação de futebol no país. Na primeira experiência atuando pela liga distrital, marcou 11 gols na temporada, ajudando o Builders Hardware Bandits a conquistar o vice-campeonato, inclusive marcando na decisão contra o Kulture Yabra. Em 2005, assinou justamente com o Kulture Yabra, acabando por fazer parte da fraca campanha da equipe na Premier League, quando marcou apenas dois gols. Uma temporada depois, disputou novamente a Premier League, desta vez pelo New Site Erei, mas sem conquistar uma regularidade, não participou efetivamente da campanha do clube que culminou com o título nacional. Sem obter sucesso na divisão principal, retornou aos gramados do torneio distrital no país, novamente para atuar pelo Builders Hardware Bandits. Marcou quatro vezes na temporada, e ajudou a equipe a chegar até as semi-finais. No ano passado, assinou com o Belize Defence Force, equipe patrocinada pelas forças armadas no país, e mais uma vez terminou o certame com quatro gols, e chegando até as semi-finais, desta vez da Premier League. O curioso, é que durante os principais momentos na seleção de Belize, Dion Frazer estava atuando pela Super League, a divisão não reconhecida pela federação, e com menos poderio técnico que a Premier.

Os torneios da Football Federation of Belize

A desorganização que afeta a federação nacional, chegou aos clubes. Após anos de divisões, pouco apelo, questões políticas, e problemas extra-campos envolvendo jogadores, em 2007 o país parece ter encontrado seu rumo, pelo menos dentro dos seus limites. Com um campeonato nacional, aparentemente organizado, e com ajuda de patrocínios, o chamado RFG Insurance League até certo ponto vem escondendo as atrocidades de Bertie Chimilio no comando do futebol no país. Antes disso, se for somar com o torneio interdistrital, ocorrido em algumas edições durante a década de 60 e 70, Belize já teve cinco campeonatos nacionais diferentes, todos com imensas dificuldades de organização, e com clubes extramamente amadores. Atualmente, a elite nacional possui 12 clubes, todos afiliados a federação, que disputam um torneio dividido em Zona Norte e Zona Sul, sendo compostos por 6 equipes cada grupo. Ao término da primeira fase, após os clubes se enfrentarem entre si em turno e returno, o torneio entra no estágio do mata-mata, que envolve quartas-de-final, semi-final, e a grande decisão.

No futebol belizenho, também afiliado a federação, ocorre uma organizada competição de equipes femininas. Com 16 equipes ao todo, as mulheres belizenhas disputam os jogos de março até maio, em um formato eliminatório, que vão desde as oitavas de final, até a final do torneio.

Em meio a disputa organizada pela federação local, ocorre no país, como já foi citado, a competição alheia ao orgão máximo na questão futebolística em Belize. Sob o comando de Michael Blease, o campeonato é composto por 9 equipes, que ao todo que disputam um torneio de pontos corridos, com turno único.