O precário futebol em Belize: O Beckenbauer local e os escândalos na federação
Por Thomas Renan e Ian Rafael
Da capital Belmopan até a agitada da Cidade de Belize, das belezas praianas de Punta Gorda até Corozal, das marcas históricas deixadas ao longo de seus anos de pré e pós-independência até a diversidade cultural que marca a população local. É seguindo este rumo que Belize ainda caminha com dificuldades quando o assunto tratado no país é futebol. Como forma de mostrar um pouco mais do esporte mais popular do planeta nesta região, realizamos uma série que será apresentada ao leitor em duas partes.
Parte 1
Um craque ofuscado pela ditadura no futebol
Apesar de poucos resquícios a respeito da prática do futebol no país nos anos que antecederam a luta pela independência que durou de 1968 até 1981, o povo belizenho já vinha criando aos poucos uma identidade com esporte ao longo do século XX. O fato mais lembrado entre as décadas de 60 e 80, é sem dúvidas o título do Football Club San Joaquin na temporada de 1969/70.
Completa hoje exatamente um mês da morte de Locario Mayen, popularmente conhecido no país por Malanga. Com poucas memórias a respeito do estilo excêntrico de atuar, que reunia uma longa cabeleira com a alta estatura e um porte físico franzino, Malanga simplemente caiu no esquecimento em um futebol tão pobre de história.
Destaque no meio-campo do Football Club San Joaquin no Campeonato Inter Distrital de 69/70, o primeiro a se ter conhecimento no país, Malanga chega a ser comparado em Belize como o ”Beckenbauer” da região, tamanha a elegância com que atuava nos gramados locais. O estilo que encantou os belizenhos nas décadas de 60 e 70 pouco é lembrado e reconhecido pelas pessoas que atualmente mandam e desmandam no futebol do país. Sem sequer receber uma singela homenagem, Malanga se despede dos apaixonados pelo futebol em Belize praticamente como um ”indigente”, assim como outros grandes nomes que fizeram parte de um esporte tão querido, mas ao mesmo tempo tão emergente no país.
Um apelo para o desenvolvimento do país no esporte
Criada inicialmente como Belize National Football Association, a federação local foi reconhecida pela FIFA apenas em 1986. Comandada primeiramente por Mr. Delhart Courtenay J.P por dez anos, em 1997 subiu ao cargo de presidente um nome contestado até os dias de hoje pelos críticos: Dr. Bertie Chimilio.
Após cumprir quatro anos de mandato, foi re-eleito em 2001 e participou do processo de mudança do nome da BNFA, que acabou se tornando Football Federation of Belize. No entanto, as críticas a gestão de Chimilio iniciaram nas eleições de 2007. Acusado de garantir os votos, mudar a data da eleição que era prevista por estatuto e ainda afastar opositores do cargo, tudo isso sob olhos de um representante da Concacaf, Chimilio passou a ser contestadíssimo em Belize por uma suposta manipulação da eleição.
Criticado por antigos esportistas belizenhos, além de ser constantemente alvo de severas críticas por parte de meios de comunicação, o ditador como é conhecido no país, agravou sua situação após os incidentes ocorridos durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. Com os estádios nacionais deteriorados, entre eles o Carl Ramos em Dangriga, Bertie Chimilio decidiu transferir as partidas de Benize pelas Eliminatórias para outros países, causando uma extrema consternação aos amantes do futebol e acima de tudo nacionalistas. De acordo com Chimilio, foi requisitado uma verba de 200 mil dólares ao governo que não foi atendida, causando a alteração de local dos jogos. Na Primeira Eliminatória, a partida contra São Cristovão e Névis ocorreu no Estádio Mateo Flores na Cidade da Guatemala, causando um suposto boicote do governo que chegou a afirmar que esta prática seria um afronte a soberania de Belize.
Já na Segunda Eliminatória, mais problemas. Desta vez, o confronto contra a seleção mexicana foi transferido para Houston nos EUA. Além do problema com o estádio, a federação ficou responsável pelos gastos de viagem e hotel, que não deveriam existir afinal o jogo era em casa. O dinheiro dos ingressos, uma boa quantia devido aos 50 mil mexicanos que lotaram o estádio, pagou o “bicho” dos jogadores e parte das despesas inesperadas. Porém, situação se tornou mais problemática quando Chimilio foi acusado de não cumprir com o pagamentos dos atletas referente ao duelo pelas Eliminatórias.

”Chimilio deve permanecer no comando do futebol em Belize até 2011”
A questão da precariedade dos estádios em Belize também gerou uma punição que exclui a única vaga do país para a disputa da Liga dos Campeões da Concacaf, dando direito de Honduras a levar mais um clube para a competição. Os fatos recorrentes, segundo atletas locais e jornalistas, apenas vem atrasando o desenvolvimento esportivo no país, que possuindo um espírito vencedor e uma mão-de-obra qualificada encontra no comandoda federação de futebol um empecílho para vôos mais altos.
