O talento desperdiçado de Carlos Elliot
Por Victor Domingos
O jovem acreano Carlos é certamente desconhecido no futebol brasileiro e quiçá no mundial. Nascido em 4/12/1984 em Rio Branco, foi adotado aos 5 anos por uma família norte-americana, Carlos passou a se chamar “Jonothon Carlos Elliot” ou simplesmente Carlos Elliot.
Aos 10 anos, Carlos Elliot mudou-se para a Itália onde começou a jogar pelas divisões de base do Torino. Um ano depois trocou a equipe pela gigante Juventus. O futebol do brasileiro destoava dentre os demais de sua faixa etária. Em um torneio colegial a Juventus exigiu que o garoto então com 11 anos tivesse atuação restrita para não comprometer seus treinamentos no clube. Em partida já garantida o garoto entrou faltando 5 minutos para o encerramento do jogo e anotou 3 gols. Ficava claro que tratava-se de um grande talento e um jogador que, se trabalho, teria tudo para se tornar muito promissor.
Elliot jogava como meia-esquerda. Habilidoso, destacava-se por ótimos passes, visão de jogo, técnica e muita habilidade. Raramente estava com a bola nos pés indo para cima de algum adversário. Sua preferência era de deixar os companheiros na cara do gol ou de abrir uma jogada. Sabia se movimentar e pressionava na saída de bola como Tévez faz atualmente. Deixava a desejar na marcação mas seu ponto fraco era a fragilidade. Franzino, o jogador se envolvia em divididas e sempre levava a pior quando o assunto era o jogo fisico. Nada que não pudesse ser trabalhado.
Em 2002 o jovem começava a figurar entre a equipe principal da Juventus. Chegou a ser reserva em uma partida da UEFA Champions League. No entanto uma mudança brusca na regulamentação italiana visando valorizar os talentos locais permitia a inscrição de somente um único atleta profissional extra-comunitário. O Milan teve de se desfazer de Mohammed Aliyu para trazer Kaká. A Juventus teve de preterir Athirson para seguir com Nedved. Elliot ainda não possui contrato profissional por não ter completado 18 anos e não estava sujeito a essa regulamentação. Com cidadanias brasileira e americana, o meia teria de esperar até seu 20º aniversário para conseguir o passaporte italiano.
Elliot está na fileira inferior à direita dos goleiros na equipe Primavera da Juventus
Pouco depois de completar 18 anos em dezembro de 2002, Carlos Elliot foi dispensado pela equipe de Turim. Tido como um dos melhores jogadores a ter passado pela equipe Primavera naquela ocasião, o clube preferiu manter Nedved a arriscar o investimento no jovem. Elliot queria atuar na Itália mas a regulamentação de um extra-comunitário por equipe vigorava até a quinta divisão. Para o acreano, o sonho era de jogar pela seleção brasileira e não descartava atuar em seu país natal tampouco pela seleção dos Estados Unidos ou na MLS. O garoto, no entanto, recusava a possibilidade de atuar pelo futebol universitário.
Após a ajuda de um fórum virtual para encontrar um empresário e ter quem gerenciasse sua arreira, Elliot disputa divisões inferiores da Itália onde este regulamento não era aplicado. Com boas atuações, o jogador acabou se contundindo e com uma grave lesão no ombro voltou a ficar sem clube.
A saga de Elliot continuava e o jogador fez testes pelo Chicago Fire em 2004. Com um empresário mais interessado em ganhar dinheiro do que gerenciar a carreira de Elliot, o garoto ainda se recuperando de lesão sequer pôde treinar pelo clube americano.
Carlos mantinha acesa a vontade de atuar no futebol italiano ou até mesmo por um clube brasileiro. O jovem fazia testes em clubes variados de Perugia a Chmel Blsany (República Tcheca) ainda recusando uma possibilidade de testes no Maccabi Haifa de Israel. O resultado era exatamente igual em todos os clubes: exibia uma técnica ímpar e extremamente chamativa mas era franzino demais para o futebol. Nem mesmo um trabalho de fortalecimento foi capaz de reverter essa situação. Enquanto o futebol em equipes mais conhecidas ia ficando distante do diminuto jogador, o mesmo ia jogando por clubes como Rossonese e Calabrese.
2005 trouxe maior sorte a Elliot. Com apenas 20 anos, o acreano conseguiu um período de testes no Viborg, clube da primeira divisão dinamarquesa naquela que seria sua última cartada no futebol profissional. Mais uma vez o mesmo resultado: a técnica de Elliot destoava e o jogador tinha tudo para arrebentar não fosse sua frágil estrutura corpórea que o impedia de jogar fisicamente, algo até certo ponto requerido na Dinamarca. No entanto o destino foi generoso com o jovem rapaz que conseguiu um contrato com o B 1909 da terceira divisão oeste. Sua condição física seria testada e, se o atleta vingasse, poderia enfim lutar por seu lugar ao sol em um clube de maior expressão.
Elliot, à direita, em treinamento pelo B 1909
Carlos, como ficou conhecido, transferiu-se em janeiro de 2006 para o Dalum IF (da mesma divisão) e chegou a marcar pelo seu novo clube. Ao final da temporada seu clube (Dalum IF) se fundiu com outros dois clubes da mesma divisão: seu ex-clube B1909 e o B 1913 formando o FC Fyn. Nesse período o brasileiro não foi selecionado para permanecer na nova equipe e mais uma vez viu-se sem clube. A toalha estava jogada para o futebol europeu já que Carlos Elliot definitivamente não possuia chances de lidar com o jogo físico exigido pelos campeonatos.
Elliot ainda fez testes para uma possível carreira no futebol em clubes estadunidenses mas também para o Miami FC seu físico era aquém do esperado. Em 2007, sem conseguir contato com clubes brasileiros, Carlos cessou sua tentativa de se profissionalizar como jogador de futebol mesmo com o andamento do processo de obtenção do passaporte italiano. Com uma condição física mediana, hoje poderia compor o meio-de-campo da seleção brasileira ou até mesmo se juntar a Feilhaber como mais um jogador nascido no Brasil a representar a seleção dos Estados Unidos.



