Os artilheiros na posição mais ingrata do futebol – Parte 3
Por Victor Domingos
A posição de goleiro é dita a mais ingrata dentre as do futebol: o goleiro é o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos. Muitas vezes vê o jogo de camarote e em um lance é o responsável pela derrota. Ficam a mais de 100 metros longe do gol adversário e pouco podem fazer para tentar resolver o problema ofensivo de uma equipe.
Ao longo do tempo alguns goleiros se destacaram marcando gols. Outros apenas marcaram gols. Outros uma única vez. Há quem tenha sido goleiro e virou jogador de linha e vice-versa, tendo tido o gosto de marcar ao menos uma vez. Há quem jogue na linha e tenha atuado como goleiro em uma ou mais partidas ou que jogue no gol e tenha completado na linha e também tido êxito. Na lista que preparamos, incluímos todos os exemplos citados em um incontável número de goleiros ou jogadores que ao menos por um dia foram goleiros e tiveram o gosto de estufar as redes adversárias.
Apenas para esclarecer, jogadores que apenas substituíram um goleiro não foram incluídos. Somente aqueles que marcaram e jogaram no gol na mesma partida ou que tenham marcado e atuado ao menos uma partida completa como goleiro.
Iain Hesford
Hesford nasceu em Zâmbia, possuia nacionalidade inglesa e atuou contra sua seleção integrando uma seleção dos jogadores que atuavam em Hong Kong. Um ano antes de ingressar no futebol asiático, Hesford marcou na vitória do Maidstone United sobre o Hereford United em 1991, pela quarta divisão do futebol inglês. Chutando da própria área, o vento forte fez com que a bola viajasse mais do que o planejado, até cair no gol.
Ignacio González
Goleiro que já defendeu a seleção argentina, cobrava pênaltis e marcou 14 vezes na carreira: 8 pelo Racing, de seu país natal e 6 pelo Las Palmas, clube espanhol.
James Brownlie
Escocês, Brownlie marcou 2 vezes, ambas pelo Third Lanark: a primeira cobrando pênalti contra o Motherwell, em 1910, no primeiro jogo a ter o goleiro de ambos os times marcando gol; a segunda aproveitando o rebote de cobrança de pênalti em 1911.
Jamie Deluque
O colombiano Deluque defendeu o Unión Magdalena no final dos anos 60, marcando um gol pela equipe onde foi campeão nacional em 1968.
Jan Koller
O centroavante grandalhão da República Tcheca começou sua carreira como goleiro no Milevsko quando foi contratado pelo Sparta Praga e passou a ser utilizado como atacante.
Na temporada 2002-03, Koller foi para o gol quando jogava pelo Borussia Dortmund após a expulsão de Lehmann. Tendo marcado enquanto estava no ataque, Koller não levou gols, foi eleito o goleiro da semana mas não conseguiu evitar a derrota de sua equipe para o Bayern de Munique.
Javier Castañeda
Castañeda marcou 2 gols defendendo o Atlético Nacional, equipe da Colômbia, seu país natal.
Jason Matthews
O goleiro inglês chutou de sua área, com a bola quicando na frente da grande área e encobrindo o goleiro adversário. O gol de Matthews rendeu a vitória do Weymouth contra o Southport, em partida válida pela Conferência inglesa, o correspondente à quinta divisão.
Jens Lehmann

Atualmente com 40 anos, Lehmann marcou 2 vezes pelo seu primeiro clube, o Schalke 04: uma de pênalti em 1995 em vitória por 6×2 contra o 1860 de Munique e outra de cabeça após bate-rebate na área em 1997, contra o Borussia Dortmund, clube que viria a defender anos depois.
Lehmann também foi protagonista de uma curiosa cena. Em 2006, na vitória por 13×0 da Alemanha contra San Marino, em San Marino – a maior derrota sofrida pela seleção na história – Lehmann foi chamado para cobrar o pênalti que deu números finais à partida, aos 45 do segundo tempo. Os jogadores de San Marino pediram para que o goleiro não batesse e que a cobrança fosse efetuada por um jogador da linha, o que foi respeitado fazendo com que Bernd Schneider cobrasse – e convertesse – o pênalti.
Jérôme Palatsi
O goleiro francês marcou seu único gol em 2004, quando defendia o Vitória de Guimarães. Chutando da própria área, a bola quicou próxima à meia-lua após um defensor do Moreirense não conseguir cortar, encobriu e goleiro e entrou antes que o mesmo defensor tentasse, sem sucesso, afastar a bola novamente.
Jesper Christiansen
Goleiro com 10 jogos pela seleção dinamarquesa desde 2005, Christiansen começou como atacante no futebol amador e marcando algumas vezes pelo Ringsted IF, da quarta divisão. O jogador decidiu se arriscar no gol por diversão, mostrando-se talentoso e rendendo uma caminhada até o posto atual de titular do FC København (Copenhagen na versão inglesa), um dos maiores clubes do país.
Jesús Contreras
O mexicano Contreras marcou do próprio campo de defesa o gol da vitória do Monterrey contra o Ángeles em jogo válido pela 2ª fase do campeonato mexicano de 1985.
Jim Brown
O goleiro escocês marcou 2 vezes em sua carreira: em 1981 pelo americano Washington Diplomats contra o Atlanta e em 1983 do seu próprio campo de defesa quando defendia o Chesterfield em partida contra o Stockport County.
Jim Calder
Atleta do Inverness Caledonian Thistle de 1977 a 2002 (até 1994 o clube chamava-se apenas Inverness Thistle), Calder era atacante da equipe e havia marcado alguns poucos gols pelo Inverness até uma lesão séria no joelho, em 1986, decretar que Calder não poderia continuar jogando. O escocês não abandonou o futebol, tornando-se goleiro da equipe e conquistando a titularidade apenas no final da carreira.
Jim Platt
O norte irlandês Platt defendeu o Middlesbrough por 12 anos, de 1971 a 1983. Platt atuou uma única vez como atacante pelo time reserva do Middlesbrough devido ao grande número de lesões e marcou 3 vezes na partida.
Jim Stannard
Goleiro do Fulham de 1980 a 1985 e de 1987 a 1995, o inglês Stannard marcou uma vez pelo Fulham em sua segunda passagem pelo clube londrino.
Jimmy Glass
O aposentado goleiro foi emprestado ao Carlisle United em 1999 e fez história no clube. Na sua terceira e última partida pela equipe, a última da temporada, o empate em 1×1 contra o Plymouth rebaixava o clube à quinta divisão e nos segundos finais, após cobrança de escanteio, Glass aproveitou o rebote e chutou forte para colocar o Carlisle United na frente do placar e ultrapassar o Scarborough na tabela, escapando do rebaixamento.
John Joyce
Inglês, Joyce começou sua carreira no final do século XIX e defendeu o Tottenham de 1909 a 1915. Em 1914 o goleiro marcou 2 gols de pênalti: um contra o Bolton pelo campeonato inglês e outro contra o Bayern de Munique em amistoso.
Johnny Vegas Fernández
Peruano, Vegas possui 37 gols marcados em sua carreira sendo 29 deles em cobranças de pênalti. Todos eles defendendo clubes do Peru.
Jorge Campos
Folclórico goleiro-atacante mexicano, Jorge Campos possui 40 gols em sua carreira, o quarto maior goleiro-artilheiro. No entanto, a maior parte destes gols (ou até mesmo todos eles) foi marcada enquanto Campos jogava como atacante, já que não há registros oficiais de quantos gols Campos marcou enquanto atuava como goleiro.
José Luis Chilavert

Até ser ultrapassado por Rogério Ceni, Chilavert era autoridade máxima no assunto e sinônimo de goleiro-artilheiro. Com 62 gols na carreira, Chilavert ainda mantém alguns recordes como maior número de gols de pênalti marcados por um goleiro (45), primeiro goleiro a marcar 3 vezes em uma partida (pelo Vélez em 1999 contra o Ferro Carril, todos de pênalti), o primeiro goleiro a rematar em gol em uma Copa do Mundo (em cobrança de falta contra a Bulgária, em 1998) e o recorde conjunto com Higuita de maior número de gols marcados por um goleiro em sua seleção: 8 vezes.
Julio César Falcioni
Atual treinador do Banfield e ex-goleiro da seleção argentina, Falcioni marcou 5 vezes na marca dos 11 metros enquanto defendeu o América de Cali por toda a década de 80.
Julio Cozzi
O argentino Cozzi marcou na década de 50 quando defendia o Millionarios da Colombia.
Jung Sung-Ryong
Um dos goleiros reservas da Coréia do Sul, Jung Sung-Ryong marcou em amistoso contra a Costa do Marfim, ambos com suas equipes sub-23 preparando-se para os Jogos Olímpicos de 2008. O goleiro chutou de pouco depois de sua área, a bola quicou e encobriu o goleiro marfinense.
Ken Simpkins
O galês Simpkins foi titular do Hartlepool em meados da década de 60. Em sua última temporada pelo clube inglês, em 1968, o goleiro precisou atuar como atacante devido a várias lesões no elenco e marcou um dos gols da vitória sobre o Port Vale por 3×2 em partida da quarta divisão inglesa.
Kennedy Mweene
Titular de Zâmbia e eleito melhor goleiro a atuar na África do Sul em 2009, Mweene converteu sua cobrança contra a Nigéria nas quartas-de-final da Copa Africana das Nações de 2010 seguido pelo também goleiro Enyeama. Antes disso, Mweene havia marcado 2 vezes da marca da cal: pelo Free State Stars, clube que defende e pela sua seleção.
Lajos Szücs

O húngaro que foi reserva de sua seleção por certo período, marcou 5 gols de pênalti: 1 pelo Újpest e 4 pelo rival Ferencváros.
Laurence Batty
Batty defendeu o Woking no início dos anos 90. O inglês marcou 5 vezes pela equipe: 4 de pênalti e 1 chutando de longe em uma vitória por 7 gols sobre o Wivenhoe, clube que hoje disputa a oitava divisão inglesa.
Lauro
O atual camisa 1 do Internacional marcou de cabeça pela Ponte Preta contra o Flamengo para empatar a partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2003 em 1×1.
Lee McEvilly
Atacante que defendeu a seleção da Irlanda do Norte, McEvilly foi para o gol após uma séria contusão do goleiro Gilks quando defendia o Rochdale, em 2003. Cobrador de pênaltis da equipe, o jogador permaneceu no gol após marcação de pênalti e desperdiçada por Connor. Em um segundo pênalti, McEvilly, então no gol, cobrou e marcou no rebote após defesa do goleiro do York City. O jogo terminou em 2×2.
Lee Williams
O inglês havia jogado por alguns clubes no País de Gales (incluindo o cargo de jogador-treinador) até ser contratado pelo Total Network Solutions (ou TNS) para ser o goleiro reserva. Em uma única partida, aos 38 anos, Williams marcou 3 gols de pênalti pelo clube.
Les Pogliacomi
O australiano tornou-se cobrador de pênaltis do Wollongong Wolves de 1999 a 2000, marcando 6 gols no período.
Lucidio Sentimenti
Italiano que foi à Copa do Mundo de 1950, Sentimenti era um caso raro de goleiro-artilheiro em sua época (anos 40 e 50), tendo marcado 1 vez pelo Modena, 3 pela Juventus e 1 pela Lazio.
Luis Barbat
Terceiro goleiro do Uruguai na Copa América de 2004, Barbat marcou 5 gols na carreira, todos eles de pênalti. Os clubes que defendeu nas ocasiões em que marcou foram Independiente de Medellín, Deportivo Tolima e América de Cali. O Deportivo Cali sofreu 2 gols do uruguaio.
Luis Enrique Martínez
Neco Martínez, como é conhecido, ficou famoso ao marcar um gol por sua seleção, a Colômbia, contra a Polônia às vésperas da Copa do Mundo de 2006. O chute encobriu o goleiro Kuszczak, que ainda recuou mas não conseguiu evitar o gol.
Manga
Goleiro que fez parte da seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 66, Manga teve uma passagem no futebol uruguaio no início dos anos 70, defendendo o Nacional e marcando um gol de tiro de meta no campeonato uruguaio.
Alfonso Quesada
O canhoto Quesada, que passou pelas seleções de base da Costa Rica, marcou em 2009, de falta, um gol pela Alajuelense contra a Universidad de Costa Rica, clube que defendera em 2008 e por quem também já havia marcado cobrando falta.




























