Procura-se o futebol goiano – Parte 2

Por Matheus Laboissiére

Na segunda reportagem da Série “Procura-se o Futebol Goiano” (veja a primeira aqui), um balanço das arrecadações do Vila Nova, desde 2005, no Campeonato Brasileiro. Quanto a torcida esteve ao lado do clube, todos saíram ganhando. É o que terá de acontecer em 2010 para se manter na Série B.

Tigre precisa da torcida!

Vila Nova

2005

O Tigrão disputou a Série B em 2005. Financeiramente, os dez jogos em casa – já que ainda não havia pontos corridos – renderam R$ 612.937,50 mil, a oitava melhor arrecadação entre os 22 clubes. Quanto ao público, 74.543 torcedores compareceram ao estádio Serra Dourada.

No elenco, duas jovens promessas do clube: o atacante Pedro Júnior e o meia Paulo Ramos, que iriam para o Grêmio no ano seguinte. Outros atacantes, como Wando e Paulinho Kobayashi, na época com 35 anos, também ajudaram a equipe a terminar na nona posição, cinco pontos acima da zona do rebaixamento, mas a sete gols de ocupar a oitava e se classificar para a fase final (O Avaí-SC, com 32 pontos e seis gols de saldo levou a vaga, já que o Vila Nova tinha -1).

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O bom público se deveu à ótima campanha feita pelo clube, a melhor desde os quartos lugares de 1997 e 1999, quando esteve muito perto de ascender à Série A, que não disputa desde 1985. Além, é claro, do título goiano, em cima do Goiás, que não vinha desde 2001 – foi o último troféu estadual do Tigre.

2006

A boa campanha no Goianão, perdendo as semifinais para o Goiás, não resultou num bom segundo semestre na Série B. O clube acabou rebaixado à Série C do Brasileirão, ficando na lanterna, com 42 pontos em 38 jogos, primeiro ano de pontos corridos.

Sem Paulo Ramos e Pedro Júnior, os destaques da equipe eram o zagueiro André Turatto, os meias Donizete Amorim e Romeu, além do goleiro Gléguer.

A diretoria do Vila Nova, diante da má campanha, decidiu abaixar o valor dos ingressos a fim de trazer a torcida a campo, o que refletiu no montante arrecadado.

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Um público total (em 18 jogos) de 99.776 torcedores rendeu R$ 650.790,50 mil aos cofres do clube goiano, sem se descontar as despesas das partidas. Mesmo com oito jogos a mais, a renda de 2005 para 2006 aumentou somente R$ 37.853 mil, resultado dos ingressos mais baratos.

Aqui começava a queda, no quesito finanças, de um dos três dos maiores clubes do estado. A Série C seria deficitária demais para os cofres do Vila.

2007

Com um elenco um pouco mais modesto – alguns jogadores permaneceram, como os experientes Alex Oliveira e Túlio, além de Wando –, a diretoria sabia que não poderia fazer loucuras.

Por esta razão, o estádio escolhido para a disputa da 1ª fase da Série C foi o Onésio Brasileiro Alvarenga (0BA), com capacidade atual de 7.000 lugares.

Foi lá que o Vila enfrentou Itumbiara-GO, Grêmio Jaciara-MT e Esportivo-DF, adversários do Grupo 10. A sequência inicial de quatro vitórias animou os torcedores, que jogaram ao lado do time. O Vila terminou os seis jogos com 13 pontos (4v, 1e, 1d).

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Na 2ª fase, o Vila Nova optou por mandar as partidas no Serra Dourada, pois percebeu que poderia arrecadar mais e diminuir o prejuízo, oriundo das viagens e hospedagens das partidas fora de casa, que até hoje não são pagas pela CBF.

O Grupo 22 foi mais complicado, o que também influenciou no aumento da renda e do público – o clube perdeu as duas primeiras e se recuperou depois. O Vila passou em segundo, atrás do CRAC-GO, com nove pontos, um a mais que o Guarani-SP e três de vantagem sobre o Rio Claro-SP. 

Na 3ª fase, penúltima antes do octogonal final, o Vila teve mais facilidade, já que o time engrenou. Nenhuma derrota no Grupo 27, ao lado de Atlético-GO, Villa Nova-MG e Esportivo-RS, deixaram os goianos na liderança, com 12 pontos. O público aumentava com a proximidade da volta à Série B.

O Vila Nova começaria outro campeonato a partir de agora. 14 jogos pela frente e candidatos igualmente fortes ao acesso: Bragantino-SP, Bahia-BA, ABC-RN, CRAC-GO, Atlético-GO – somente Barras-PI e Nacional-PB eram considerados azarões.

O Vila começou mal, ficando, nas primeiras cinco rodadas, quatro sem vencer. Depois, melhorou, chegando à última rodada precisando da vitória. Os 3×0 contra o Nacional-PB, lanterna do octogonal, permitiu aos goianos comemorar o acesso, na terceira posição, ultrapassando o Atlético-GO, que perdeu, e se mantendo à frente do CRAC, que venceu, mas ficou com 21 pontos, contra 23 do Vila.

Finanças

A emoção de uma Série C, com poucos jogos, certamente ajudou um Vila Nova que se planejou para subir. O clube só teve menos público que o Bahia (565.738) e terminou com 212.940 torcedores, em 16 jogos.

A arrecadação foi duas vezes maior que a da Série B de 2006: R$ 1.441,219 milhão, contra R$ 650.790,50 mil em 18 partidas da Segundona. A comemoração do acesso, na última partida, contra o Nacional-PB, rendeu ao Vila o décimo maior público da competição, 32.431 torcedores. Só os goianos e o Bahia estiveram entre os maiores públicos.

Mesmo com a arrecadação recorde, tinha-se de descontar as despesas não pagas pela CBF. Será que o Vila Nova lucrou na Série C?

2008

A diretoria do clube goiano conseguiu manter a maioria dos jogadores, como Túlio, Wando, Alex Oliveira, Paulo Ramos, além de trazer o zagueiro André Leone, o goleiro Max e o volante Caíco, ex-Santos.

Os gols de Túlio, artilheiro da competição com 24 gols – 42% dos 57 gols do Vila na competição –, ajudaram o clube a arrecadar mais, já que ficou perto de subir, a cinco pontos do G4 – o Tigre ficou várias rodadas entre os quatro.

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O Vila Nova foi o segundo a levar mais torcedores – só perdeu para o Corinthians-SP –, com 235.668, média de 12.404 nos 19 jogos em casa. A arrecadação? R$ 2.531.360 milhões, quase o dobro do ano passado, na Série C.

Não se pode afirmar, com convicção, que o clube lucrou em 2008, mas o faturamento foi bastante positivo.

2009

A saída do craque Túlio, que foi para o Itumbiara-GO, refletiu no ataque do clube. Foi o segundo pior, melhor apenas que o do ABC-RN, lanterna daquele ano. Os atacantes contratados para fazer os gols não renderam: Alex Dias, aquele mesmo, ex-Vasco-RJ, Galvão e, por último Nena, contratado junto ao ASA-AL, na segunda parte da Série B. O artilheiro do time foi Willian, emprestado pelo Atlético-PR, com seis gols, o 37º goleador da Série B (Willian atualmente está no Figueirense-SC).

O Vila Nova pegou emprestado muitos jovens jogadores dos times da Série A, como o goleiro Getúlio Vargas (Flamengo) e o zagueiro Alex Cazumba (São Paulo), o que refletiu a dificuldade financeira de se contratar atletas.

Mesmo assim, na segunda metade da competição, o medo do rebaixamento fez com que a diretoria contratasse a torto e a direito, sem pensar, o que atrapalhou as finanças e não surtiu o efeito esperado.

A arrecadação também acompanhou a má campanha da equipe (14 v, 7e, 17 d). Apenas 79.571 torcedores, média de 4.170, estiveram no Serra Dourada, para uma renda total de R$ 1.100.000,06 milhão.

2010

O ano não começou bem para o clube goiano. Após chegar às semifinais, o Vila Nova perdeu duas vezes e foi eliminado pelo modesto Santa Helena. Contratações no ano? Diversas, 57 jogadores chegaram ao clube no primeiro e no segundo semestre, durante a parada da Copa do Mundo.

Destaques? O atacante Roni, 33, em final de carreira, volta ao clube que o revelou. O goleiro Max, há dois anos clube e com 100 jogos nas costas com a camisa vermelha, 35 anos.  

A parada da Copa do Mundo foi muito proveitosa para o clube de Goiânia. Contratações e dispensas foram feitas e os 40 dias de treinamentos começam a surtir efeito, com duas vitórias seguidas (3×1 no Bragantino e 2×1 no Náutico, além de um empate, em 0×0, com o Sport, em Recife), o que dá esperança de Série B em 2011 à torcida do Tigre.

Para dar continuidade á arrancada, a torcida deve comparecer mais. Até agora, apenas 16.544 vilanovenses estiveram no Serra Dourada, em oito jogos, o sétimo pior. Os R$ 203.533,50 mil arrecadados não são suficientes para pagar as contas.

Análise

A Série C disputada pelo Vila Nova em 2007 atrapalhou muito as finanças do clube. As dispensas e contratações durante a parada da Copa do Mundo da África do Sul também. Portanto, o Tigre precisa arrecadar mais, o que ainda não aconteceu. O baixo faturamento do clube ao longo dos anos, aliado à falta de planejamento de contratações, tem sua parcela de culpa na atual situação do Vila Nova na tabela da Série B. E cabe à torcida – e ao aumento de ingressos, se for necessário – a mudança.

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