Racing Club Haïtien: O clube que perdeu a hegemonia no Haiti
Por Thomas Renan
Fundado no dia 23 de Março de 1923, o Racing Club Haïtien se consolidou logo nas primeiras décadas como uma das potências do futebol haitiano. Em 1937, quando a Division 1 Ligue Haïtienne foi criada, o Racing foi o pioneiro de conquistas da história do campeonato, já faturando a primeira edição. A necessidade de crescer ainda mais no cenário do futebol haitiano, veio após a conquista do maior rival do clube, o Violette AC na temporada seguinte. Sem deixar por menos, o Racing Club Haïtien voltou a triunfar já em 1941, garantindo o bi-campeonato além do posto de uma das principais equipes do futebol caribenho.
Apesar de quatro edições sem conquistar o certame nacional, a equipe de Port-au-Prince não ficou sem títulos. Em 1944 veio o bi-campeonato da Coupe d’Haïti, já que havia ganho em 1941, no mesmo ano em que garantiu o segundo título do campeonato nacional. Mesmo sem garantir uma sequência de campeonatos, o Racing Club Haïtien sempre esteve como um dos protagonistas do futebol haitiano. Com títulos em 1946, 47, 53, 58 e 62, o clube não ficou em vão durante a paralisação da primeira divisão de 1963 até 1967, já que venceu em 63 a competição mais importante em sua história.
Embora a primeira divisão tenha sido paralisada, a equipe da capital não sofreu com as consequências, garantindo uma campanha histórica na Liga dos Campeões da Concacaf de 1963. Sem tomar conhecimento, a equipe haitiana eliminou seus adversários com certa facilidade. Além de bater o RKV FC SITHOC de Curação, inclusive vencendo por 4-1 jogando no Willemstad, a equipe também despachou Club Xelajú da Guatemala, na decisão que precisou de três partidas. No entanto, a grande final que estava programada para acontecer contra o Chivas Guadalajara, ocorreu de fato fora das quatros linhas. Com as duas partidas em Guadalajara, o Racing Club não conseguiu o passaporte para seus jogadores a tempo, fazendo com que o campeão fosse decidido apenas em fevereiro de 1964, quando a Concacaf decretou a conquista para os mexicanos. Recorrendo a decisão, os haitianos conseguiram forçar duas partidas para definir o campeão do torneio, mas alegando que neste período estaria fazendo partidas pelo continente europeu, o que na época de fato seria mais vantajoso para o clube, o Chivas acabou perdendo o posto de campeão que acabou indo de forma inédita até então para o Racing Club Haïtien.
Apesar da conquista, o clube da capital haitiana só foi retomar o caminho das glórias a partir dos anos 50, quando faturou a primeira divisão em 1954 e 1958, e mais tarde em 1962 e 69. Com sete conquistas no total, a equipe passou por um momento dificílimo que perdurou por cerca de 30 anos, quando em 1996 o Racing voltou a conquistar um título nacional. Mesmo com os títulos de 2000 e 2002, a equipe jamais conseguiu recuperar a hegemonia nacional que conquistou no século passado.
Em 2007, mais um capítulo triste culimando na decadência do Racing Club, sendo rebaixado para a segunda divisão, terminando na décima terceira colocação. Junto com o Racing, caiu Roulado, AS Rive Artibonitienne e AS Grand Goâve na temporada.
Atualmente, a equipe da capital haitiana retornou a elite do futebol no país. No nacional desta temporada, que já se encontra nas últimas rodadas, a equipe amarga uma colocação no meio da tabela, sem chances de almejar algo nas primeiras posições. Muito pouco para o maior vencedor nacional da história do país.

