Santos Football Club – A equipe que trouxe Pelé a Jamaica
Por Thomas Renan
Conhecida por suas belas paisagens naturais, e por ser o berço do reggae, a Jamaica também viveu momentos esperançosos com seus clubes nacionais, em especial um: Santos Football Club.
Criado em um contexto importante da história jamaicana, dois anos após a independência do país e do nascimento de uma das figuras mais lembradas no cenário musical do planeta, Bob Marley, o Santos apareceu em 1964 como uma verdadeira potência nacional, literalmente conquistando os amantes do esporte em Kingston, que se mostravam carente de um futebol nacional forte, e ao mesmo tempo não escondiam o carinho que tinham pelo Rei Pelé. Aliando o carinho pelo brasileiro, com o clube em que o atacante atuava, o nome Santos veio como uma homenagem ao talento brasileiro na época. A escolha do nome agradou tanto aos fãs do futebol em Kingston, que o clube em seu início chegou a angariar públicos de 20 até 30 mil pessoas.
O início avassalador não veio apenas fora dos gramados, em decorrência da escolha do nome, mas sim dentro das quatro linhas e com conquistas. Ainda antes de ser criada a Jamaican National Premier League, primeira divisão nacional, em 1973, o Santos da Jaimaica já desfilava um futebol vistoso pelo país, trazendo inclusive títulos importantes na época aos seus torcedores. O projeto idealizado pelo ex-treinador da seleção nacional Winston Chung Fah cada dia chamava mais a atenção, e os títulos da JFA Divisão III, logo no primeiro ano de história, a Divisão II, além da Divisão I foram provas do crescimento prematuro do clube. Mesmo que o título da Divisão I tenha sido impugnado pela utilização de jogador irregular, nada era capaz de tirar o brilho da equipe nas primeiras temporadas de existência.
Em 1970, Winthrope “Jackie” Bell, um dos grandes nomes do futebol jamaicano, assumiu o clube no lugar de Winston Chung Fah para iniciar uma era ainda mais vitoriosa. Com a criação da Jamaican National Premier League, liga que perdura até os dias de hoje, o Santos logo conquistou a hegemonia nacional. Com os títulos de 1973/74, 1974/75, 1975/76, 1976/77 e 1979/80, a equipe comandada por Bell literalmente espantou o país com sua força, que foi reforçada ainda mais com a sequência histórica sem derrotas, que se iniciou em 1973, durando até a temporada de 1979, quando o Santos perdeu para outra equipe com raízes brasileiras, o Brasil de St. Ann.

”Winthrope “Jackie” Bell foi um dos responsáveis pela trajetória vitoriosa da equipe nos anos 70”
O sucesso repentino trouxe o legítimo Santos, inclusive com Pelé, para realizar uma série de amistosos na região. A mini-excursão santista contou com uma espécie de traingular realizado pela equipe especialmente em Kingston. Além de um público literalmente em êxtase por ter em sua terra o rei do futebol, a passagem do time da Vila Belmiro conquistou um fã em especial, nada menos que Bob Marley, que nove anos depois em uma passagem pelo Brasil se disse encantando com a presença brasileira em seu país. O relato veio quando Marley, que tinha a pratica do esporte como rotina, participou em 80 de uma partida com grandes nomes da música brasileira, como Alceu Valença, Chico Buarque e Toquinho. Na ocasião, o jamaicano que viria a falecer um ano depois, atuou vestindo a camisa 10 do Santos.
Voltando a 1971, o Torneio Triangular de Kingston contou com o Chelsea da Inglaterra, além do All Stars Cavaliers, mais conhecida na época como seleção jamaicana. Na partida frente os ingleses, o Santos atuou com Cejas; Turcão, Ramos Delgado, Orlando “Lelé” e Rildo; Léo Oliveira e Lima; Edu, Douglas, Pelé e Abel (Nenê), e mesmo sem gol de Pelé, Douglas se encarregou de dar a alegria ao povo de Kingston, garantindo a vitória do peixe sobre os ingleses. Já no outro confronto, o Santos não saiu do empate por 1-1 com a seleção da Jamaica. Além das duas partidas em Kingston, a excursão santista também contou com amistosos contra seleções da região, caso da Martinica, Guadalupe e Haiti.
Se foi em decorrência dos amistosos na Jamaica que Pelé acabou acertando com o Cosmos, já que segundo ele foi em Kingston que houve o primeiro contato com Clive Toye, gerante do clube norte-americano na época, o futuro pós títulos e badalações para o Santos jamaicano não foi um dos mais promissores. As campanhas já não eram mais as mesmas, novos clubes campeões surgiam no país, e o povo local deixava o esporte um pouco de lado, principalmente pela comoção nacional com a morte de Bob Marley em 81. Deteriorando ainda mais a situação, durante a Copa do Mundo de 86, um dos expoentes do clube na época vitoriosa, Jackie Bell, perdeu a vida em um acidente automobilístico no México. Sem perspectiva de melhora, o clube viveu de campanhas medianas, até que em 2000 acabou sendo rebaixado para a KSAFA Super League, segunda divisão nacional, lugar em que permanece até hoje.
Embora a falta de recurso assole o clube, as campanhas na segunda divisão são até certo ponto promissoras. Na temporada passada por exemplo, a equipe finalizou o campeonato na terceira colocação, a uma que daria o direito de disputar o playoff e consequentemente o acesso. Segundo Carlton Dennis, atual presidente e que na época gloriosa era um dos atletas, a situação do clube é bem complicada, tristeza reforçada por Billy Perkins, atacante na década de 70, que em entrevista ao Globo Esporte afirmou: ”Antes, jogávamos no estádio nacional para 20, 30 mil pessoas. Hoje, nem há nem 50 pessoas por aqui. Isso me deixa triste.”

Vida longa ao grande SANTOS da Jamaica e a todos os SANTOS do planeta.
Salve também o nosso eterno SANTOS FUTEBOL CLUBE, Bi Campeão Mundial (62/63).
Um abraço do santista
Fernando Lima / Brazil.